Cemitério Municipal de Santa Maria deve realizar ao menos 80 enterros nesta manhã. Homenagem para as vítimas deve começar em instantes

A cidade de Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, inicam o enterro das vítimas que morreram em na boate Kiss, no domingo (27). A tragédia deixou mais de 230 mortos , a maioria por inalação de fumaça. No final da tarde de ontem, foram iniciados os velórios na quadro do ginásio do Centro Desportivo Municipal. O cemitério municipal irá realizar pelo menos 80 enterros. Os sepultamentos ocorrerão ao longo do dia.

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Um ato ecumênico foi planejado antes do início do enterro. A celebração foi feita pelo arcebispo da cidade, dom Hélio Adelar Rupert. no Centro Desportivo Municipal (CDM), onde ainda está sendo velada parte das vítimas.

No ginásio, também ocorreu a identificação dos corpos. Todos as vítimas já foram reconhecidas por familiares e amigos. Na noite de ontem, além da movimentação de familiares e amigos, muitos voluntários caminham pelo local, distribuindo água e comida. A maioria dos mortos na boate era de jovens, com idades entre 16 e 20 anos, já que a cidade abriga várias instituições de ensino superior. Muitos deles morreram por asfixiamento por inalação de fumaça tóxica.

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Investigação

A perícia foi retomada nesta manhã nas dependências da boate. Segundo o delegado Marcelo Arigoni, um dos responsáveis pelos trabalhos no local, afirmou que "ao terminar a busca por corpos, o foco passou a ser a investigação policial". "Buscamos elucidar os fatos e culpar culpados vem como consequência".

Ontem, o delegado Sandro Meinerz informou que um dos três proprietários do estabelecimento ainda não havia sido localizado pela polícia para dar depoimento e outro já foi ouvido. "Um deles foi ouvido, e outro desapareceu", disse o delegado, sem detalhar o teor do depoimento.

Meinerz afirmou ainda que um dos integrantes da banda que tocava no estabelecimento - cuja apresentação supostamente teria dado origem ao incêndio, durante espetáculo de pirotecnia - foi ouvido pelos policiais que investigam o caso. Ele não forneceu detalhes desse depoimento porque não acompanhou o testemunho do músico. Outro membro da banda morreu no incêndio.

Os integrantes da banda podem ser indiciados por homicídio culposo - quando não há intenção de matar. "Doloso não, culposo sim. É culpa de quem usou a pirotecnia. A banda sim (poderá ser indiciada), porque a atuação deles é que deu vazão ao incêndio e é preciso checar se eles podiam fazer aquilo ou não", afirmou o delegado em entrevista à Agência Estado.

Segundo Meinerz a faísca do sinalizador utilizado no palco pela banda foi puxada pelo exaustor da boate e isso causou o incêndio por cima da espuma, o que pode ter gerado fumaça tóxica.


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