Recomendação é que manifestantes usem branco e levem flores e balões

Com mais de 7 mil confirmações no Facebook, os moradores da cidade de Santa Maria (RS) planejam uma caminhada pelas ruas do município de 262 mil habitantes. Vestindo camisetas brancas e empunhando flores e balões, familiares e amigos vão homenagear as 231 vítimas do incêndio que na madrugada de domingo (27) destruiu a casa noturna Kiss.

A recomendação inicial de fazer o percurso levando velas foi suspensa. A ideia é iluminar o percurso usando lanternas e telefones celulares. O encontro está marcado para começar às 22h na Praça Saldanha Marinho e terminar no Centro Desportivo Municipal (CDM), embora alguns organizadores prefiram concluir a caminhada em frente à casa noturna, cuja rua está interditada.

O nome da passeata também está em discussão. Há quem preferia Caminhada da Paz e quem defenda a Caminhada do Luto.

Comoção

Além da homenagem, o evento vai simbolizar a comoção e solidariedade do povo de Santa Maria, que se mobilizou para ajudar as vítimas. É o caso do médico pneumologista Abdias Baptista de Melo Neto, que trabalha voluntariamente desde as 7h de ontem.

“A nossa mente foi até o inferno e não conseguiu voltar. É uma cicatriz permanente porque não há treinamento técnico que prepare alguém para o que a gente viu”, disse.

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A musicista Andrea Pinheiro afirmou à reportagem que “o clima é péssimo, mas a solidariedade da população emociona”.

Silvana Freitas Camargo, orientadora educacional do colégio do Coração de Maria, que registrou cinco ex-alunos mortos, afirmou ao iG que Santa Maria amanheceu “abalada, de olhar triste”. Ela conta que uma das imagens mais chocantes foi assistir aos velórios improvisados por falta de vaga nas capelas.

“Havia gente velando em frentes das casas, nas igrejas, garagens, salões de festas”, disse. Mas a cena que a desolou ocorreu de madrugada: “Às 2h30 os corpos no CDM estavam em um caminhão frigorífico esperando os caixões chegarem”.

A educadora disse, no entanto, que a visão mais frequente “foi o povo ajudando. Pessoas dando água, consolando. Todo mundo mobilizado confortando os familiares”.

Ela conheceu os cinco ex-alunos do Coração de Maria. Ela conta que Alexandre Prado, Bernardo Ropp e João Carlos Barcelos eram filhos únicos. “O João morava sozinho com a mãe. Ele montou uma agência de eventos, vivia para o trabalho”, conta.

João Paulo Pozzobon era “alegre, só fazia festa. Ele havia começado o curso de Agronomia” e Gilmara Cantanilha era estudante de direito.:“Já estava fazendo estágio. O carro dela ainda está estacionado na boate”.

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