RS decide acabar com escolas itinerantes do MST

O governo do Rio Grande do Sul suspendeu unilateralmente o repasse de verbas para as escolas itinerantes dos sem-terra por exigência do Ministério Público Estadual. Em compensação, vai oferecer vagas aos filhos dos acampados em escolas estaduais e municipais fixas e sob controle da Secretaria da Educação, com transporte gratuito para as crianças.

Agência Estado |

A decisão estava tomada desde novembro do ano passado, mas surpreendeu os sem-terra porque só foi tornada pública nesta semana, quando funcionários das coordenadorias regionais de educação começaram a visitar as 1.730 famílias espalhadas por nove acampamentos em diversas regiões do Estado para avisá-las da época de matrículas na rede pública. Segundo cálculo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), 640 crianças seriam atendidas pelas escolas itinerantes neste ano.

Pelo sistema que vigorava desde 1996, a organização não-governamental (ONG) Instituto Preservar, formada por educadores simpáticos ao MST, contratava educadores para ensinar os filhos dos sem-terra em acampamentos e também em seus deslocamentos, como marchas, ocupações e manifestações, e recebia repasses mensais do governo do Estado por suas atividades.

O Instituto Preservar conta com 13 educadores e cinco merendeiras e vinha recebendo repasses de cerca de R$ 16 mil por mês, suspensos desde agosto do ano passado por motivos controversos. A Secretaria da Educação alega que não pode pagar enquanto não receber relatórios adequados dos serviços. A coordenadora do Instituto Preservar, Janaína Stronzake, diz que o governo do Estado tem acesso a todos os dados, mas usa subterfúgios como recusar uma citação abreviada ou um nome com uma letra a menos para retardar os pagamentos.

Alegando ter sido obrigada a mudar o sistema pelo Ministério Público, a secretária da Educação, Mariza Abreu, não comentou hoje o caso. Para os sem-terra, a suspensão do convênio que mantinha as escolas itinerantes é mais uma ofensiva da ala do Ministério Público e do governo de Yeda Crusius (PSDB), que, segundo eles, tentam criminalizar os movimentos sociais.

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