Royal Opera recorre a Plácido Domingo para resistir à recessão

Por Mike Collett-White LONDRES (Reuters) - A Royal Opera House britânica recrutou o tenor Plácido Domingo para ajudá-la a resistir à recessão na próxima temporada, com uma dupla presença histórica na qual ele cantará como tenor em Tamerlano, de Handel, e como barítono em Simon Boccanegra, de Verdi.

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O cantor lírico espanhol fará seu 26O papel no teatro de ópera londrino quando aparecer em "Tamerlano", em março de 2010, e vai estrear como barítono no mesmo local em "Simon Boccanegra", três meses depois.

"Eu me sinto muito em casa em Covent Garden desde que primeiro me apresentei ali, em 1971, e sou grande admirador de (o diretor musical) Tony Pappano e tudo o que ele fez com a Royal Opera", disse Domingo na quarta-feira, durante o anúncio da nova temporada.

Com fama de altos custos de produção e de ingressos que custam caro, a Royal Opera House se prepara para enfrentar dificuldades em 2009/2010.

Mas, apesar de ter planejado o repertório antes da chegada da crise financeira global, o teatro resolveu manter a programação original.

O executivo-chefe da Royal Opera House, Tony Hall, disse que a reputação da companhia poderia ser prejudicada se o público pensasse que ela está ousando menos e recorrendo a sucessos testados e comprovados.

"A pior coisa que pode acontecer é as pessoas deixarem de acreditar no que você faz."

Hall disse que espera que o teatro de ópera, também conhecido como Covent Garden devido à área de Londres em que se situa, consiga chegar ao fim da temporada atual com lucros que cubram seus custos.

"Por enquanto, o público vem se mantendo", disse ele.

Mas ele se mostrou cauteloso em relação ao futuro, dizendo que os preços dos ingressos não vão subir no início da próxima temporada e que serão revistos a cada três meses.

Os patrocínios de empresas foram prejudicados pelo arrocho do crédito, mas doadores individuais vêm ajudando a cobrir o rombo, disse Hall.

Um fator que preocupa Tony Pappano é que a fraqueza da libra em relação ao dólar e ao euro significa que os cantores que se apresentam em Covent Garden estão ganhando menos.

Ele observou, também, que os funcionários do Metropolitan Opera, em Nova York, aceitaram ter seus vencimentos reduzidos em 10 por cento para ajudar o teatro a enfrentar a recessão.

Entre os destaques da temporada 2009/10 em Covent Garden estão sete novas produções de ópera, incluindo duas da Rússia: "The Tsarina's Slippers", de Tchaikovsky, e "O Jogador", de Prokofiev.

Os cantores Anna Netrebko e Rolando Villazon também serão ouvidos numa nova produção de "Manon," de Massenet.

O Royal Ballet vai apresentar três premières mundiais em seu palco principal em 2009/10, além de seis obras completas: "Mayerling," "A Bela Adormecida," "O Quebra-Nozes," "Romeu e Julieta," "La Fille Mal Gardée" e "Cinderela."

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