Roteiro de história e arte

Roteiro de história e arte Por Mônica Nóbrega Chartres, 24 (AE) - Este é um roteiro que olha para o alto. Mira as torres pontiagudas que se erguem em direção às nuvens.

Agência Estado |

E, de preferência com ajuda de um binóculo, procura pelos desenhos nas abóbadas localizadas metros e metros acima. Olha, também, para dentro. Momentos de reflexão em que templos, monumentos ou mesmo algum detalhe aparentemente simples se enchem de significados únicos, exclusivos para cada viajante.

O Natal pode ser estímulo adicional para os fiéis fazerem um tour espiritual pela França. Uma rota por cidades onde as igrejas são o centro das atenções - e isso num país que é um dos mais católicos do mundo. Foi até sede da religião por mais de 70 anos ao longo do século 14, quando o rei Felipe IV, o Belo, obrigou os papas a se mudarem de Roma para Avignon, para mantê-los sob vigilância e longe das decisões políticas.

Os templos franceses guardam conhecimento arquitetônico, histórias de povos e obras de arte cujo interesse ultrapassa as fronteiras da crença. Ou da falta dela. Caso, por exemplo, da belíssima e intrigante Catedral Notre Dame de Chartres, cuja construção remonta, até onde se sabe, ao século 4º. Sua cripta abriga um poço de provável origem celta - na Idade Média, acreditava-se que as águas dali tinham poder de cura.

Há cerca de 4 mil esculturas em sua fachada e no interior, além de 176 vitrais e um labirinto de pedra desenhado no piso da nave principal, que os fiéis percorrem como metáfora da peregrinação à Terra Santa e os apenas curiosos ou supersticiosos, para meditar e garantir uma dose extra de boa sorte.

Com origem na primeira década do século 8º, a Abadia do Monte Saint-Michel expandiu há muito o seu público, originalmente formado por peregrinos, que chegaram a somar 600 mil por ano durante o século 13. Hoje, 3 milhões de visitantes vão anualmente à Normandia em busca do templo equilibrado no rochedo que, diariamente, fica rodeado pela cheia da maré.

SEIS PARADAS - Além destes, estivemos em outros quatro pontos da rota francesa da fé. São lugares com significados especiais para fiéis, mas que também são interessantes para quem não tem a religião como foco principal. Marcadas por aparições da Virgem Maria, caso da campeã de visitas Lourdes e da pequena e quase anônima Pontmain, ou por terem sido lar de santos católicos, como Alençon e Lisieux, essas localidades atraem, juntas, 10 milhões de visitantes por ano.

Entre paredes de pedra e pisos marcados pelo tempo, os turistas são recebidos por padres e freiras de todas as idades que dedicam a existência a preservar os patrimônios, fazem papel de guia quando necessário e estão bem longe da imagem sisuda geralmente a eles associada. Só as histórias de vida de tais personagens já seriam motivo para gastar horas na visita detalhada aos monumentos.

Melhor ainda se, depois do passeio guiado e das explicações sobre arquitetura e história, você decidir recomeçar a visita por conta própria. Refaça o caminho na sequência que preferir, oriente seus passos pelas cores e formas, por uma inscrição particularmente tocante, pela dança dos reflexos nos vitrais. E então, admirar o alto - e os lados - será uma forma de também olhar para dentro.


Viagem feita a convite da Atout France

Cidades-santuários da França: villes-sanctuaires.com

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG