Roseana Sarney nega ter mordomo pago pelo Senado

A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), divulgou uma carta-resposta ao jornal O Estado de S. Paulo por meio da qual rebate as informações de que o servidor do Senado Amaury de Jesus Machado seria seu mordomo. Roseana diz que ¿Secreta¿, como o homem é conhecido, é apenas um ¿amigo querido¿ que sempre ¿frequentou e vai frequentar¿ sua casa.

Redação com agências |

Segundo o jornal, Amaury de Jesus Machado, de 51 anos, o "Secreta", é funcionário efetivo da instituição. Ganha, com gratificações, em torno de R$ 12 mil. Deveria trabalhar no Congresso, mas desde 2003 dá expediente a sete quilômetros dali, na residência que Roseana mantém no Lago Sul de Brasília.

A assessoria de imprensa disse ao Congresso em Foco que Amaury é um afilhado de Roseana ¿ qualificativo que, segundo a assessoria, é comumente usado no Maranhão para designar pessoas próximas ou agregadas à família.

Ela nunca teve mordomo. O Amaury na realidade é lotado no gabinete do senador Mauro Secury (PMDB-MA), informou a assessoria, referindo-se ao primeiro suplente de Roseana, que tomou posse quando a peemedebista deixou o cargo para assumir o governo do Maranhão. Ele é funcionário do Senado há muitos anos. A governadora sempre foi ligada a ele por laços de amizade. Ele vai muito na casa dela.

O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico, vai pedir informações ao Senado a respeito do desvio de função do servidor.

Um faz-tudo

"De acordo com o jornal, Secreta" é uma espécie de faz-tudo, quase um agregado da família. Cuida dos serviços de copa e cozinha, distribui ordens aos funcionários e organiza as recepções que Roseana promove quando está na cidade.

Na manhã de sexta-feira, a reportagem do jornal procurou o servidor na casa da governadora. O empregado que atendeu informou que ele estava há dez dias em São Paulo, acompanhando Roseana. Ela ficou até ontem na capital paulista, onde passou por cirurgia para retirada de aneurisma.

Roseana renunciou ao cargo de senadora em abril, para assumir o governo do Maranhão no lugar de Jackson Lago (PDT), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ainda que estivesse no exercício do mandato, não poderia ter um servidor como empregado doméstico.

Atos secretos

José Sarney é suspeito de autorizar os chamados atos secretos na Mesa Diretora do Senado para uma série de contratações, inclusive de parentes, conforme reportagens publicadas pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Conforme a primeira de uma série de reportagens publicadas sobre o assunto, um levantamento feito por técnicos do Senado, a pedido da Primeira-Secretaria, detectou cerca de 300 decisões que não foram publicadas, muitas delas adotadas há mais de 10 anos. Os atos administrativos "secretos" foram usados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários.

(*com informações da agência Estado e Congresso em Foco)

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