A governadora licenciada do Maranhão, Roseana Sarney, filha do presidente do Senado, José Sarney, disse que seu pai está sendo usado como bode expiatório para a crise que se abateu sobre a Casa.

De acordo com a senadora, os problemas no Senado são antigos e a responsabilidade é de todos os senadores. "Dizem no Maranhão que dance quem dance quem dá pulo é José. Ou seja, ele está sendo responsabilizado por tudo", disse Roseana. Ao ser questionada se Sarney seria o bode expiatório, ela respondeu: "acho que sim".

"Melhor decisão para o País"

Sobre a possível renúncia de Sarney, Roseana disse que compete somente a ele tomar tal decisão e, seja ela qual for, a família estará ao seu lado. A senadora disse ainda que Sarney tem maturidade política e vai tomar a decisão que for melhor para o País. "Ele é um homem experiente, um homem importante para o Senado e para o Brasil. Ele vai priorizar o que é mais imporante para o País".

Roseana deu a declaração em Brasília, onde participou de encontro, realizado na residência de Sarney, entre o líder do governo no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), o líder do PT na Casa, Aloizio Mercadante, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e o líder do PTB, Gim Argello. 

A realização da reunião - antes de o PT anunciar posição oficial sobre a crise no Senado - foi uma decisão da bancada do partido tomada na terça-feira à noite.

Sem apoio incondicional

Na reunião de ontem, a bancada do PT decidiu não prestar solidariedade incondicional a Sarney. Depois de cerca de duas horas e meia, o partido acabou colaborando para enfraquecer o presidente da Casa ainda mais, ao fechar com uma proposta semelhante àquela apresentada à tarde ao próprio PSDB, que ponderou sobre a necessidade do senador peemedebista se afastar do cargo. Sarney esperava o apoio total dos petistas.

Mercadante relatou que a sugestão é para que se crie uma comissão formada por representantes dos partidos e por consultores do próprio Senado, com o objetivo de gerir a crise e promover a reforma estrutural profunda que a Casa e a sociedade exigem. "Esta comissão vai se integrar à Mesa Diretora de forma complementar, porque o colegiado que compõe a Mesa tem mandato", observou o líder.

Ao sair da reunião com Sarney, nesta quarta-feira, Mercadante não quis antecipar se Sarney aceitou as propostas da criação de uma comissão e de uma lei de responsabilidade fiscal para reduzir os custos e o quadro de servidores da Casa. Ainda nesta quarta-feira, Mercadante se reúne com outros senadores petistas antes de definir a manutenção do apoio a Sarney.

Agência Senado
Antonio Carlos Júnior (DEM - BA), Álvaro Dias (PSDB-PR), líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN)

Antonio Carlos Júnior (DEM - BA), Álvaro Dias (PSDB-PR) e o líder
do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN)

DEM, PSDB, PDT e PSol pedem afastamento

Sarney já conta com quatro partidos pedindo sua licença do cargo. Na terça-feira, DEM, PSDB e PDT fecharam questão contrária ao mandatário do Congresso na terça-feira, posição que foi tomada pelo PSol na segunda-feira. Esses partidos somam 33 senadores, oito a menos que os 41 necessários para votar a cassação de um mandato.

Apesar da soma, o número não é preciso. Isso porque na bancada do DEM , de 14 senadores, pelo menos quatro são favoráveis á permanência de Sarney.

No PSDB também há defecções . O vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO) é um dos tucanos que não quer o afastamento. Nos bastidores, tem ponderado que a cadeira da presidência estaria muito quente neste momento, e que a crise poderia cair em seu colo caso assumisse o cargo.

Por outro lado, a bancada do PMDB, que apóia Sarney e tem 19 senadores também conta com aqueles que querem a cabeça de Sarney. O exemplo mais notório é Pedro Simon (RS), que está licenciado devido a uma cirurgia no apêndice.

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