Roraima acusa índios de bloquear rios e vai ao STF

O governo do Estado de Roraima entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF), com pedido de liminar, contra a comunidade indígena waimiri-atroari, que vive na divisa com o Amazonas.

Agência Estado |

Os índios, segundo a Agência Brasil, são acusados de impedir o livre trânsito de pessoas nos rios Jauaperi e Macucuaú, o que fere o direito de todos os cidadãos de ir e vir.

O governo pediu a liminar por considerar que há risco de conflito entre índios e a população ribeirinha. O motivo é que os rios são a única forma de transporte para a população não-índia chegar à área de extração de castanha, atividade de subsistência na região.

Depoimentos de índios

Cinco dos dez índios feridos nesta segunda-feira durante o confronto entre funcionários de arrozeiros e indígenas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, vão prestar depoimento à Polícia Federal (PF). Segundo informações do coordenador de Projetos da Comunidade Raposa Serra do Sol, ligado ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), o macuxi Jaci José de Souza, os índios aguardam a chegada dos policiais à sede do conselho para prestar esclarecimentos.

Dos outros cinco indígenas feridos, três estão sob observação na Casa do Índio (Casai) e os outros dos, no Pronto-Socorro de Pacaraima, município na fronteira com a Venezuela. Segundo o representante indígena, o clima é de revolta entre os índios da Raposa Serra do Sol.

Estamos muito revoltados. Estávamos construindo nossas casas próximo ao local onde nascemos e os jagunços atacaram a gente, afirmou Souza. O macuxi nega que os índios tenham invadido a propriedade do líder dos arrozeiros de Roraima, Paulo César Quartiero. Mas argumenta que a fazenda está situada em terra indígena. A fazenda não tem limite, quem tem limite somos nós. Ali é nossa terra.

Quartiero disse que seus funcionários dispararam tiros contra índios porque houve uma tentativa de invasão à Fazenda Depósito, de sua propriedade, que fica dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

De 50 a 100 índios invadiram a fazenda e meu pessoal foi pedir para que se retirassem. Eles chegaram atirando flechas e aí houve o confronto, alegou Quartiero. Também estamos com seis feridos em Pacaraima [ município vizinho à reserva, onde Quartiero é prefeito ], acrescentou.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou hoje que ainda está apurando o que ocorreu que vai se manisfestar oficialmente no decorrer do dia.

Genro na Raposa Serra do Sol

O ministro da Justiça, Tarso Genro, vai nesta terça-feira a Roraima acompanhar os desdobramentos do confronto entre índios e funcionários do líder dos arrozeiros de Roraima, Paulo César Quartiero, na terra indígena Raposa Serra do Sol. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, Tarso Genro classificou a atitude dos empregados da Fazenda Depósito como ação inaceitável.

Tarso Genro estava em Manaus (AM) acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração de um projeto de urbanização do bairro Igarapé da Cachoeirinha e decidiu ir até Roraima após o conflito, em que dez índios foram baleados. De acordo com assessoria do ministro, ele volta ainda hoje a Brasília.

Conflito na região

Com área de 1,7 milhão de hectares, a terra indígena Raposa Serra do Sol foi homologada em maio de 2005, mas diversas ações contestam, no STF, o decreto de demarcação da reserva. Desde a homologação, intensificaram-se os conflitos entre índios e plantadores de arroz que resistem em deixar a reserva. Para retirar os arrozeiros do local, a Polícia Federal organizou a Operação Upatakon 3, que foi suspensa por decisão do STF.

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