Romance policial pode servir para aliviar tensão do dia-a-dia

Delia Millán Redação Central, 19 ago (EFE) - O romance policial, apesar da realidade sombria e dos fatos horripilantes que às vezes descreve, é o gênero literário predileto dos leitores, e, segundo especialistas, isso ocorre porque tem a virtude de entreter, prender a atenção e, também, aliviar angústias. É preciso fazer o público sofrer o máximo possível, dizia o mestre do suspense cinematográfico Alfred Hitchcock, mas ele também pregava que era preciso dar prazer a ele, o mesmo prazer que sente quando acordam de um pesadelo. O que faz com que, em geral, o romance policial atue como relaxante é que, por mais horrível que seja o que conta, sempre se sabe que acabará bem, que o mal será vencido e que tudo voltará a ficar em ordem, explicou à Agência Efe Angela Esser, porta-voz do Syndikat, a associação de autores deste gênero em língua alemã. Um romance policial é uma narrativa que cria um medo que depois deverá ser aliviado, escreveu Thomas Narcejac, um dos autores da dupla Boileau-Narcejac. Mas o relato deve manter uma distância respeitosa do horror que descreve, de outra forma só os psicopatas gostariam de escrevê-lo ou lê-lo, conforme escreveu Raymond Chandler em seu ensaio sobre o gênero A Simples Arte de Matar. Este distanciamento é o que faz com que muitos romances policiais, sobretudo os clássicos, possam ser desfrutados como um jogo de enigmas. O gênero tem um forte componente lúdico e, por isso, cada vez há mais festivais d...

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A prova cabal disso é que o romance policial para crianças e adolescentes tem tido cada vez mais sucesso e, em alguns países, é objeto de estudo nos colégios.

"Alguém pode perguntar se é razoável que exista romances policiais para crianças, que o universo do crime tenha um lugar na literatura infantil", disse em um estudo sobre este tipo de obras o professor da Universidade de Paris X-Nanterre Claude Hubert-Ganiayre.

"O romance policial responde a muitos fantasmas da infância, à atração pelo secreto, ao medo da morte, da noite, da rebelião perante a injustiça da fatalidade", diz Ganiayre.

Ela afirma também que esse gênero atua como os contos infantis clássicos, oferecendo o amargo prazer de sentir medo.

Pode também, como com esses contos, ajudar no desenvolvimento, pois, como estes, são "aventuras que são como a busca de si mesmo", como uma viagem primordial, diz a professora.

Isto pode ser aplicado também ao gênero policial para adultos. "O que busco é a verdade", dizia Georges Simenon, o escritor que, com a publicação de suas obras completas na coleção de clássicos franceses de "La Peyade", fez com este gênero entrasse oficialmente na literatura nobre. EFE dm/bm/db

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