A Rodovia Fernão Dias está há pelo menos dois anos sem nenhum tipo permanente de fiscalização eletrônica de velocidade no trecho paulista - aproximadamente 95 quilômetros. Todos os equipamentos foram desligados antes do processo de privatização, que passou o controle da via para a concessionária Autopista Fernão Dias/OHL, em fevereiro do ano passado.

Não há previsão para a instalação de novos. O mesmo trecho está praticamente sem placas de sinalização que estipulam os limites de velocidade.

Antes da concessão, a rodovia tinha seis lombadas eletrônicas, que eram operadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). A Autopista Fernão Dias afirma que esses equipamentos foram desligados cerca de um ano e meio antes de a concessionária assumir o controle da via. O contrato de concessão prevê novos equipamentos, mas ainda não foi definido um cronograma para a instalação. A concessionária alega que o atraso é de responsabilidade da Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que está reestudando os modelos a serem adotados. “De acordo com o contrato de concessão, a concessionária deverá colocar radares fixos na rodovia, assunto em estudo na ANTT para uniformização de tecnologia entre todas as concessionárias federais”, informa nota da Autopista Fernão Dias.

A ANTT admite que está analisando “um novo tipo de radar, como também um conjunto de sistemas para criar uma ITS (rodovia inteligente)”. De acordo com uma nota do órgão, o objetivo é colocar na via equipamentos mais modernos que os “pardais”. Além disso, o mesmo sistema será padronizado e usado nas outras rodovias federais sob concessão. O estudo deverá ficar pronto em dois meses. “Não teria sentido utilizar equipamentos que hoje já podem ser considerados tecnologicamente obsoletos, notadamente em concessões que estão iniciando, como a da Fernão.”

Embora não tenha radares fixos, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realiza periodicamente o monitoramento eletrônico de velocidade por equipamentos estáticos (móveis) e “pistolas” (que estimam a velocidade na passagem), principalmente nas operações de fins de semana e feriados.

A Fernão Dias registrou neste ano, entre 1º de janeiro e 19 de abril, quase um acidente por hora, que deixaram 50 mortos e 1.642 feridos, num total de 2.532 acidentes. Isso significa uma morte a cada 48 horas. Do total de vítimas, 22 morreram em atropelamentos, por falta de passarelas. Houve 787 acidentes em janeiro, 646 em fevereiro, 715 em março e 384 no período de 1º até 19 de abril. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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