Roberto inicia festejos de 50 anos de carreira em navio

Em 1959, Roberto Carlos estava numa sinuca de bico. Saíra meio desgostoso do conjunto The Sputniks, no qual dividia a liderança com Tim Maia.

Agência Estado |

Muitas gravadoras lhe diziam não sem cerimônia: fora recusado pela Chantecler, pela RCA, pela Philips, pela Odeon. Tinha então 18 anos e teve de recorrer a um primo, que era gerente da boate Plaza, em Copacabana, para conseguir um contrato como cantor da noite do Rio. Assinou para trabalhar como crooner da casa noturna. Ali ele ganharia seu primeiro salário profissional, e foi esse momento, o do primeiro pagamento, que ele considera o início de sua carreira consagrada de cantor (embora já tivesse uma década de experiência musical).

Por conta dessa data-chave, Roberto (que faz 68 anos em abril) inicia agora em fevereiro - no mar, cantando para 2.682 pessoas no navio Costa Mágica - as comemorações dos seus 50 anos de carreira, que começou naquele trabalho na Boate Plaza. Logo depois, em julho do mesmo ano, Roberto seria aceito pela Polydor, após uma audição com Roberto Corte Real, e gravaria um compacto em 78 rotações com as canções "Fora do Tom" e "João e Maria", ambas de Carlos Imperial. No mesmo ano, Roberto ainda gravaria outro 78 rotações com "Brotinho Sem Juízo" e "Canção do Amor Nenhum" (Carlos Imperial).

Ricardo Pugialli, autor do livro "Almanaque da Jovem Guarda", acredita que fevereiro de 1959 foi o mês em que Roberto Carlos iniciou sua primeira temporada como cantor profissional. A data precisa é muito difícil de se afirmar. Não existem mais documentos sobre o período. Provavelmente Roberto pode ter os originais. Nada mais existe da antiga boate ou mesmo do hotel Plaza. Temos hoje um novo hotel no local, com o mesmo nome, mas tudo foi modificado. Não há fotos, documentos, cartazes, nada, conta o autor.

Segundo o escritor e pesquisador, autor de um livro que Roberto Carlos elogia, o cantor parece preferir a data como marco inicial de sua carreira (em vez da gravação do compacto em 78 RPM) por um motivo especial. Cantando na mesma casa onde João Gilberto se apresentou, onde os cobras da bossa nova (Baden Powell, Johnny Alf, João Donato, Milton Banana, entre outros) davam canjas quase todas as noites, é com certeza o motivo pelo qual ele guarda com carinho a data. Já o disco não é um trabalho que eu acredito que ele tenha gostado tanto. Não estava em seu estilo, era uma emulação de João Gilberto e ele foi muito criticado na época pelos músicos e simpatizantes da bossa nova.

O próprio Roberto, em uma de suas entrevistas, em 2005, foi sucinto a respeito da data. Eu tinha uns 16 ou 17 anos e só ouvia rocknroll, quando um dia, no rádio do carro, escutei João Gilberto. Mudei tudo e só quis cantar bossa nova, contou. Por isso, meu primeiro trabalho como cantor foi na Boate Plaza. Outra novidade prevista para este ano para festejar o cinquentenário de sua carreira seria uma grande turnê de Roberto pela América Latina, passando por Argentina, Chile e México.

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