Robert De Niro, o touro indomável, fica mais manso aos 65 anos

Antonio Martín Guirado Los Angeles (EUA), 17 ago (EFE).- Ficam para trás os dias das interpretações sublimes e das transformações radicais, mas Robert De Niro, que amanhã completa 65 anos, se mantém no topo de Hollywood sem se levar a sério demais e intensificando sua atuação como diretor.

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Considerado por muitos como um dos melhores atores da história, este nova-iorquino filho de pintores, que cresceu no boêmio Greenwich Village, passou de ser o paradigma do "Ator's Studio" -onde era promovida a capacidade introspectiva, a criação interna do personagem- para se tornar um comediante de primeira linha, seu eterno sonho.

Seus papéis mais famosos foram realizados através deste método.

Assim, ganhou quase 30 quilos para recriar Jake LaMotta em "Touro Indomável", se refugiou na Sicília (Itália) para obter o sotaque que Vito Corleone requeria em "O Poderoso Chefão- Parte II" e trabalhou três meses como taxista em Nova York para "Taxi Driver".

Na carreira de De Niro existem três períodos claramente diferenciados: o esplendor da década de 1970 até meados dos 80, a mistura de projetos independentes com projetos fortes durante os 90 e a chegada do novo século, no qual mostrou sua veia cômica em filmes mais comerciais.

A primeira fase, é sua época mais brilhante quando se tornou um ícone do cinema, com títulos imortais como "Caminhos Perigosos" (1973), "O Poderoso Chefão: Parte II" (1974) - Oscar de melhor ator coadjuvante -, "Taxi Driver" (1976), "O Caçador" (1978), "Touro Indomável" (1980) - Oscar de melhor ator.

Da segunda datam obras tão populares como "Tempo de Despertar" (1990), "Cabo do Medo" (1991), "Cassino" (1995), "Fogo contra Fogo" (1995), "Sleepers - A Vingança Adormecida" (1996) e "Jackie Brown" (1997), onde seu diretor, Quentin Tarantino, fez com que ele ficasse conhecido por uma sutil piscada e pela atração por mulheres negras.

Durante todo esse tempo, há dois nomes que são uma constante em sua filmografia: o do diretor Martin Scorsese, com quem rodou oito filmes, e o ator Joe Pesci, seu grande amigo na vida real, com quem contracenou em outros quatro longas-metragens.

No entanto, a partir de "Máfia no Divã" (1999), onde deu vida a um gângster excessivamente dependente de seu psicólogo (Billy Cristal), De Niro comprovou que a mudança para comédia podia beneficiar sua carreira que era tomada por personagens dramáticos.

Mas, sobretudo, foi a criação em 2002 do Festival de Cinema de Tribeca, em resposta aos ataques terroristas de 11 de setembro, que o empurrou para uma série de projetos que lhe asseguraram, em algumas ocasiões, cheques de até US$ 20 milhões.

Assim chegaram sucessos como "Entrando Numa Fria" (2000) e sua segunda parte, "Entrando Numa Fria Maior Ainda" (2004), mas também sérios tropeços como "As Aventuras de Rocky & Bullwinkle" (2000), "Showtime" (2002) e "Godsend - O Enviado" (2004), que, além disso, minaram seriamente seu status entre o público e a crítica.

Longe de se abater, nas próximas semanas estreará a comédia "What Just Happened?", e a esperada "Righteous Kill", junto com Al Pacino, enquanto planeja participar de "Edge of Darkness", compartilhando cenas com Mel Gibson.

Mas cada vez parece mais claro que a menina dos olhos do De Niro maduro é a direção, um caminho que iniciou em 1993 com "Desafio no Bronx" e que só pôde retomar em 2006 com "O Bom Pastor", sua visão sobre o nascimento da CIA para o qual já anunciou planos de rodar uma segunda e uma terceira parte. EFE mg/bm/rr

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