Zona rural de Teresópolis é um desafio para o poder público

Regiões estão ilhadas e nem os bombeiros conseguem entrar; resgate dos corpos está sendo feito por parentes

Flávia Salme, enviada especial a Teresópolis (RJ) |

Na porta do IML de Teresópolis, o lavrador Flávio Pereira Pimentel tentava se resignar na noite desta quarta-feira (12) por não ter conseguido resgatar o corpo da prima Janete Branco Pimentel Vaz, de 33 anos. Ela foi morta ao lado de toda a família, vítima de um soterramento na localidade de Motas, na zona rural. “Consegui encontrar meu tio, minha tia, minha sobrinha de 12 anos, e o pai dela, que era marido da minha prima. Mas a Janete eu não achei”, disse ele, enquanto segurava com as mãos trêmulas a foto fornecida pela polícia dos quatro parentes soterrados.

Flávio contou que foi acordado por vizinhos que, aos berros, lhe contaram que a casa da família havia desabado. “Saí correndo para lá. Como os bombeiros não estão conseguindo entrar, nós fizemos os resgates e trouxemos os corpos para o IML”, ele contou.

Ao lado da irmã Bela Pereira Pimentel, Flávio disse que estava angustiado por não encontrar o corpo da prima no IML. “Nem sei se vão achar, o lugar onde eles moram virou um rio de lama. Pensei que ela pudesse estar aqui, mas ainda não localizei. E sem o auxílio dos bombeiros, diminuem as esperanças. Torço para que amanhã eles consigam entrar lá”, falou.

Hélio Motta
Flávio Pimentel (de camisa branca), a irmã Bela (a primeira à esquerda de azul) e outros familiares encontram dificuldades para localizar o corpo de uma prima

Religiosos e psicólogos amparam as famílias

O delegado Wellington Pereira confirmou que muitos corpos ainda não foram resgatados devido a dificuldade de acesso aos locais de desabamento. “Os bombeiros não estão conseguindo entrar em várias localidades. Por isso, achamos que a quantidade de corpos a serem resgatados ainda seja grande”, avaliou.

Segundo o delegado, para ajudar as famílias a enfrentar a dor da espera e da procura, profissionais da área de assistência social tentam amparar os parentes das vítimas. “As pessoas estão nervosas, isso é normal. Mas estamos preparados, estamos oeferecendo assistência social, religiosa e médica”, afirmou. “A faculdade de Teresópolis enviou equipes de enfermeiros e psicólogos. Tem bastante gente ajudando”, contou.

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