Wellington: "Descobrirão quem sou da forma mais radical"

Material estava em HD achado na casa do atirador. Última data de acesso indica que assassino planejava há pelo menos um ano

iG Rio de Janeiro |

nullA Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou nesta quarta-feira (13) um novo vídeo do autor do massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Wellington Menezes de Oliveira. A gravação, feita, segundo a polícia, sem ajuda de outra pessoa e em ambiente interno, foi encontrada em um HD na casa do assassino, em uma prateleira empoeirada. De acordo com o diretor geral de polícia técnico-científica, Sérgio da Costa Henriques, o disco rígido no qual foi gravado o vídeo continha ainda outros arquivos que estão sendo analisados pela perícia, bem como as mensagens e trocas de e-mails do criminoso.

O iG decidiu não publicar a maior parte dos vídeos por entender que há trechos que estimulam a violência.

Henriques afirmou também que o último acesso ao HD ocorreu em julho de 2010, o que indica que o vídeo pode ter sido feito há mais de um ano. Na gravação, Wellington afirma estar defendendo os que são humilhados porque são bons: "A maioria das pessoas me desrespeitam, acham que sou um idiota, se aproveitam da minha bondade, me julgam antecipadamente, são falsas (incompreensível). Descobrirão quem sou da maneira mais radical. Uma ação que farei pelos meus semelhantes, que são humilhados, agredidos, desrespeitados em vários locais, principalmente em escolas e colégios, pelo fato de serem diferentes, de não fazerem parte do grupo dos infiéis, dos desleais, dos falsos, dos corruptos, dos maus. São humilhados por serem bons", diz o vídeo, com menos de um minuto.

Além deste HD, que estava na prateleira, a polícia trabalha ainda para recuperar um outro disco rígido, queimado, que estava dentro do computador de Wellington, mas a prioridade é para o primeiro HD, que está sendo desfragmentado em processo para descobrir possíveis arquivos que tenham sido apagados. Henriques afirmou que não descarta a possibilidade de contar com a ajuda de uma empresa especializada, que já se ofereceu para colaborar, mas, por ora, a polícia ainda não solicitou qualquer contribuição externa.

O policial afirmou que, no mesmo HD, há cenas do cotidiano de Wellington, filmagens nas ruas, mas ele disse que, por enquanto, não vai divulgar o material.

Características de esquizofrenia

De acordo com Henriques, até o momento não foi encontrado qualquer indício de participação de terceiros ou de co-autoria no assassinato das crianças em Realengo. Ele descartou a possibilidade de Wellington estar atuando dentro de um grupo, especialmente um grupo terrorista. Justificou que as armas usadas no crime são obsoletas e disse enxergar traços de esquizofrenia no assassino.

"Ele (Wellington) apresenta características de esquizofrenia pelo seu isolamento e mania de perseguição. Basta ver a roupa que ele foi para o local. Toda preta, com luva preta e camisa camuflada. Ele se acha um justiceiro. E nem tem remorso porque, na cabeça dele, está fazendo um bem para a sociedade", explicou.

Sérgio afirmou ter informações de que, na época em que estudava, Wellington era alvo de brincadeiras por parte das meninas. Por isso, se retraria. No entanto, ele não acredita em vingança o fato de as garotas terem sido as maiores vítimas do atirador.

"Não existia a ideia de se vingar de quem fez porque o Wellington iria procurar as pessoas que fizeram isso. Na verdade, na cabeça dele, há um ambiente escolar e meninas da mesma idade da época em que o Wellington sofreu o bullyng. E ele fez isso para a sociedade atual para evitar que as meninas de hoje façam com outras pessoas, o que teriam feito com ele", analisou.

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