Volta às aulas na escola Tasso da Silveira divide pais

Retorno será gradativo e deve ocorrer na próxima segunda-feira com atividades artísticas. Alguns pais querem retirar os filhos

iG Rio de Janeiro |

Uma semana após o massacre praticado pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira, que matou 12 crianças, na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, pais e mães de alunos se reuniram mais uma vez, nesta quinta-feira (14), com a direção do colégio.

Na reunião, foi aprovada a proposta da Secretaria Municipal de Educação de retorno gradativo às atividades escolares, a partir da próxima segunda-feira (18).

Apesar do otimismo com o retorno das aulas para superar a tragédia, alguns pais ainda evitam entrar na escola. Róbson de Carvalho, de 48 anos, um dos primeiros a socorrer os alunos feridos, e pai de um aluno que estava na unidade de ensino no momento do ataque, disse que pretendia ir à reunião. No entanto, desistiu por ter sonhado na última noite que o atirador iria ao seu encontro.

Futura Press
Pais participam de reunião com professores da escola Tasso da Silveira; muitos querem retirar os filhos

"Sonhei com ele (Wellington) vindo todo de preto ao meu encontro", afirmou. Róbson declarou que não pretende mais entrar na escola e que teme pelo que pode acontecer durante o período de festas juninas.

"Imagine qual vai ser a reação das pessoas se ouvirem uma bomba do lado de fora", questionou.

A questão da segurança também foi discutida no encontro. Ficou decidido que a direção pedirá que a Guarda Municipal tome conta da escola durante os três turnos, por tempo indeterminado. Para a dona de casa Elaine Adão, mãe de Alice Adão, de 11 anos, aluna do 5º ano, a segurança é sempre uma preocupação, desde que isso não atrapalhe a rotina.

“Isso é com todas as escolas. Todas as mães têm essa preocupação. Eu acredito que, agora, vai ter mais segurança, sim. Mas a gente também não pode ficar com medo. Se ficar com medo de tudo, a gente não vive”, disse a dona de casa

A também dona de casa Jaqueline da Silveira, de 47 anos, mãe de dois alunos da escola, aprovou os pontos discutidos na reunião e destacou a reformulação pela qual a escola vai passar. “Eles vão ter sala de informática, leitura, vão pintar e as aulas vão começar devagar. Eu estudei aqui, sou ex-aluna e nunca tinha acontecido isso. Sempre foi uma escola excelente, com segurança, mas a segurança sempre preocupa”, disse Jaqueline.

Mãe de menina morta participou de reunião e reprovou decisão

Mãe da estudante Mariana Rocha de Souza, de 12 anos, uma das estudantes mortas no massacre, Noeli da Silva Rocha, de 38 anos, também participou da reunião e disse que o encontro não serviu muito. "Não me deram conforto, nem tranquilidade", disse.

Noeli afirmou que vai retirar seu outro filho da escola e que, por ela, o colégio não funcionaria mais.

"Se eu tivesse poder, eu derrubava essa escola. Imagine para uma criança, que teve uma irmã morta, jamais vai ter condições de estudar lá de novo. Meu filho está traumatizado", reclamou.

A mãe de Mariana afirmou que está reunindo outros parentes de vítimas do massacre e pretende marcar um encontro com o prefeito Eduardo Paes para pedir providências. Segundo ela, um guarda municipal na porta da escola não vai resolver nada.

"Eu fui levar um lanche para o meu filho e não me deixaram entrar. Entretanto, um ex-aluno entrou armado na escola e matou 12 crianças", reclamou.

Presente na reunião, a costureira Rosângela da Costa Cruz, de 46 anos, afirmou que se matriculou na escola e voltará a estudar, a pedido da filha, Lorrainy Cruz, de 15 anos. A garota não aceita ir à escola sozinha, depois que viu a melhor amiga, Laryssa, ser assassinada pelo atirador.

Com informações da Agência Brasil

    Leia tudo sobre: ataqueescola tasso da silveiraaulas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG