Vídeo mostra líder comunitário da Rocinha em uma suposta venda de fuzil

Preso, William de Oliveira estaria intermediando nas imagens a compra da arma entre Nem e o vendedor, Alexandre Leopoldino

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Raphael Gomide
Imagens divulgadas pela polícia mostram a suposta negociação de venda de um fuzil AK-47
Um vídeo de 19 minutos que teria sido entregue por uma moradora da Rocinha à Polícia Civil foi o principal indício para a decretação da prisão temporária do ex-presidente da associação de moradores da favela, William de Oliveira , o William da Rocinha, na manhã desta sexta-feira (2). As imagens sem áudio mostram William, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, e um terceiro homem identificado como Alexandre Leopoldino em uma suposta venda de um fuzil AK-47. William é assessor parlamentar da vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), há cinco anos, e foi candidato derrotado a deputado estadual em 2010.

Leia também: Suposto negociador de fuzil com Nem trabalhava na Casa Civil estadual

A situação gravada ocorreu ao lado de uma quadra de esportes na localidade da Rocinha conhecida como Cachopa. Os três homens estavam sentados ao redor de uma mesa de plástico usada em bares. No vídeo, Nem está usando um boné; William aparece do lado esquerdo do vídeo, e Alexandre Leopoldino está de costas para a câmera. De acordo com a investigação feita pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Alexandre seria o vendedor do fuzil, Nem, o comprador, e William, o intermediador da negociação.

Ao final da conversa dos três homens, o suposto vendedor recebe uma quantia de Nem. Um valor também é entregue a William. De acordo com a polícia, seria uma comissão pela intermediação da venda. A polícia não soube informar o montante, apenas que era uma grande quantia. O líder comunitário vai responder pelos crimes de associação para o tráfico de drogas e intermediação de venda de armas de fogo de uso restrito.

Márcia Foletto / Agência O Globo
Wiliam de Oliveira é acusado de associação com o tráfico de drogas na Favela da Rocinha
“William de Oliveira não é exemplo para ninguém. Acabou a ideia de que ele é bom moço. Ele sempre pregou essa imagem, mas estava ao lado de uma quadra de esportes negociando uma arma em frente a algumas crianças jogando futebol”, avaliou o delegado Márcio Mendonça, titular da DRFA.

Segundo a Polícia Civil, o vídeo foi gravado às vésperas da ocupação policial da Favela da Rocinha porque as aparências de Nem, William e da quadra de esportes são semelhantes às da operação policial. Já o ex-líder comunitário afirma que as imagens ocorreram na véspera das eleições de 2010, quando ele concorreu a deputado estadual pelo PRB e foi derrotado, tendo obtido 6.013 votos, sendo 77% do total de votos na Rocinha.

William negou ter participado da venda do fuzil e disse que já sabia da existência do vídeo. “É uma armadilha. Nem me chamou na madrugada do dia da eleição para esse encontro”, declarou. “Nem me disse que se eu entrasse no caminho dele, teria minha vida destruída. Não vendi fuzil. Não vendo fuzil. Não sou criminoso”, afirmou.

De acordo com ex-presidente da associação de moradores da Favela da Rocinha, a quantia que ele aparece recebendo nas imagens seria uma doação para sua campanha eleitoral, em 2010. “Nem estava embriagado e nervoso quando me deu o dinheiro. Quando eu desci, devolvi essa quantia. Infelizmente estão tentando destruir a minha vida. A Rocinha sabe quem eu sou. Fiquei oprimido por muitos anos na comunidade”, disse.

Leia também: Prisão de William expõe proximidade do tráfico com lideranças na Rocinha

A chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, afirmou que ainda que seja este o caso, está configurada a associação ao tráfico, pelo recebimento de dinheiro para campanha. Na ocasião, William obteve 6.013 votos na área da comunidade. Em 2005, William passou 200 dias preso, suspeito de associação ao tráfico, na ocasião comandado pelo criminoso Bem-Te-Vi. Absolvido, elegeu-se presidente da associação de moradores, em 2007, com 2.500 votos.

Na última eleição comunitária, em 30 de outubro, integrou novamente uma chapa, como candidato a vice-presidente de Cabeça, liderança na Rocinha. Eles tiveram 1.296 votos, e foram derrotados pela chapa da situação, liderada por Leonardo Rodrigues Lima, o Léo, com 3.994.

Assista ao vídeo da suposta negociação do vídeo:

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Nem negocia suposta venda de um fuzil AK-47

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