`Vi muita gente gritando por socorro¿, diz moradora

Proprietária de uma casa em área de risco não quer sair do imóvel, apesar de toda a tragédia no bairro

Flávia Salme, enviada a Teresópolis |

Hélio Motta
Maria de Jesus com o filho Rogério e a netinha de 3 anos: "Se a casa não caiu, não cai mais", ela diz
“O silêncio é bom”, resume a doméstica Maria de Jesus Correia, de 50 anos. Se não fosse o marido, o filho e os três netos que insistem em permanecer em sua companhia, ela seria quase uma eremita.

Moradora do bairro de Campo Grande, um dos mais afetados pelas chuvas em Teresópolis, ela não quer sair da casa onde vive, num pequeno pedaço de terra que resistiu à avalanche que devastou a região.

Apesar do deserto que se tornou o lugar, a casa de Maria tem muito movimento. Explica-se: somente através do imóvel é possível avançar para a parte mais alta da região, onde ainda há muitos corpos soterrados.

De manhã à noite, bombeiros, técnicos da Defesa Civil e voluntários atravessam o terreno para realizar os resgates.

“Daqui de casa eu vi muita gente sendo arrastada pela água e gritando por socorro. Fiquei muito angustiada, não podia fazer nada”, ela diz. Sem luz, sem água e quase sem comida, ela não reclama.

“Os bombeiros e os voluntários que passam por aqui sempre deixam uma garrafa d’água, um biscoito, emprestam uma vela... está dando para levar”, conta Maria, sem qualquer sinal de reclamação.

Perguntada se não estava com medo de permanecer no imóvel, respondeu: “Se a casa não caiu naquele momento, não cai mais.”

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