Vereador é preso em operação para combater milícias no Rio

Político é suspeito de planejar tentativa de assassinato da delegada Martha Rocha e do deputado estadual Marcelo Freixo

iG Rio de Janeiro |

Bruno Gonzalez/Agência O Globo
Vereador é suspeito de planejar a morte da delegada Martha Rocha, atual chefe da Polícia Civil
Policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO/IE) prenderam nesta quarta-feira (13) três pessoas em uma operação para combater milícias em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Entre os presos, está o vereador Luiz André Ferreira da Silva (PR), conhecido como Deco.

O político, assim como os outros procurados, são acusados de tentar matar a atual chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, na época em que ela era delegada titular da 28ª DP (Campinho), além do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu a CPI das Milícias. Ao todo, os agentes tentam cumprir 14 mandados de prisão.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, Martha Rocha confirmou ter recebido ameaças na época em que comandou a delegacia de Campinho, entre 2007 e 2008.

De acordo com a delegada, foram pelo menos três informes repassados ao Disque-Denúncia sobre um possível atentado contra ela. A polícia, no entanto, não deu detalhes sobre o plano dos milicianos.

A operação foi realizada em conjunto com a Subsecretaria de Inteligência, da Subprocuradoria-Geral de Justiça e do Gaeco, do Ministério Público, e da Corregedoria Geral Unificada. Cerca de R$ 60 mil foram apreendidos.

Vereador comandava grupo há sete anos

Segundo a denúncia, Deco é o principal dirigente da milícia que há pelo menos sete anos controlava comunidades situadas nos bairros de Praça Seca, Campinho, Quintino e Jacarepaguá.

Para se impor, a quadrilha recorria a meios cruéis como homicídios por meio de armas de fogo, facões e cordas para enforcamento. Além disso, praticava ocultação e destruição de cadáveres, torturas, estupros, invasões de domicílios e outros crimes.

Nas áreas controladas pelo bando, comerciantes são obrigados a pagar taxas de segurança mensais de até R$ 100. Dos moradores, cobra-se taxas por fornecimento de água (R$ 10), sinais clandestinos de TV a cabo (R$ 30) e internet (R$ 30), venda de imóveis (até 20% do valor negociado).

Para trabalhar, moto-taxistas pagam R$ 30 a cada 15 dias. As atividades ilícitas, geralmente com o respaldo de associações de moradores, incluíam a monopolização da venda de botijões de gás, com preços fixados acima dos valores praticados no mercado e a exploração de máquinas de jogos de azar.

O braço-direito de Deco, conhecido como Lica, coordenava as atividades de associações de moradores, matadores, agentes de campo, seguranças e olheiros, tendo participado diretamente de assassinatos ocorridos na região.

Apesar de não ser policial, era conhecido como “PM Souza” por trajar farda da Polícia Militar e circular em viaturas da corporação. Outro parceiro do vereador, conhecido por Cabeção, era presidente da associação de moradores da comunidade conjunto Ipase. Um outro subordinado de Deco, apelidado de Bequinho era segurança do político, ostentando armas de fogo e fazendo o serviço de escolta.

Milícia da Covanca

Seis integrantes de uma outra milícia que atuava em Jacarepaguá também eram alvos da operação.  Segundo a denúncia, o grupo se estabelecia na Estrada da Covanca, na localidade do Tanque. Ela promovia “tribunais” clandestinos para julgamento dos desafetos. 

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