UPPs, aumento de salário e bolsa federal atraem candidatos a PM

Concurso para 3.600 vagas bate recorde com 68 mil inscritos. Unidades pacificadoras tornam vida do policial menos arriscada

iG Rio de Janeiro |

Com a consolidação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em favelas do Rio, melhores salários e o pagamento de Bolsa Formação no valor de R$ 400, pagos pelo governo federal, a PM está atraindo mais candidatos a soldado. O último concurso estabeleceu recorde histórico, de 68.655 inscritos para 3.600 vagas em disputa. Em 2007, por exemplo, foram cerca de 25.000 candidatos para 2.000 lugares disponíveis.

Em um estado com mais de 7.000 homicídios – mais de 100 policiais assassinados – por ano e com o tráfico fortemente armado, o risco de morte é um item primordial na análise custo/benefício de um candidato a PM.

Um ponto que contribui para o interesse pela carreira policial militar no Rio é a decisão estratégica da Secretaria de Segurança do Rio de alocar nas UPPs soldados novatos, sem vícios e ressentimentos em relação a confrontos prévios em favelas. Sendo as UPPs áreas de atuação com menor risco de vida, mais pessoas se animam a concorrer a uma vaga que talvez não disputassem se soubessem que o destino seria um batalhão em região de favelas violentas.

O salário atual, de R$ 1.402,51, também evoluiu, representando reajuste de 35% em relação à remuneração de 2007, de R$ 909,49 (aumento real de 21%), por exemplo.

Outro fator relevante é o pagamento da Bolsa Formação do Pronasci, do governo federal, no valor de R$ 400. O montante é pago por um ano aos PMs que fazem cursos propostos pelo Ministério da Justiça. O valor representa, na prática, aumento de quase 28,5% no salário básico do soldado. Durante o treinamento, que dura seis meses, os recrutas recebem R$ 664,58.

Nem a reputação de violência e de corrupção, alimentada por episódios como o da suposta propina para liberar o atropelador de Rafael Mascarenhas, filho da atriz  Cissa Guimarães, são suficientes para diminuir os candidatos.

As novidades têm animado mais até as mulheres, que concorrem este ano a 800 das 3.600 vagas. Antes do prazo final de pagamento, elas somaram 24 mil fichas de inscrição – o que deve ter resultado em cerca de 17 mil candidatas efetivas.

Governo precisa de seleção para compensar evasões

Para o governo Sérgio Cabral e a expansão do programa das UPPs – carro-chefe do governo na área de segurança, com 11 unidades – também é fundamental aumentar o efetivo policial, há anos em torno de 38 mil PMs. Daí a necessidade de novos concursos e até da prorrogação do prazo de inscrição do atual concurso, já encerrado hoje.

Além do novo elemento que é a UPP, a corporação precisa repor a alta evasão anual, de cerca de 1.700 policiais – o correspondente a quase quatro batalhões (são 41 no estado).
Os motivos são os mais diversos, e variam de reforma, troca de profissão a exclusões por corrupção ou outros crimes a saídas em busca de uma outra carreira. Entre 2005 e 2009, 1.115 policiais foram excluídos da corporação, de acordo com levantamento da Corregedoria Interna da PM – média de 223 por ano.

A PM tenta compensar essa evasão com concursos para a contratação de novos soldados. Foram feitos quatro concursos no governo Sérgio Cabral (um por ano). Entretanto raramente o número de vagas é preenchido. No certame de 2007, por exemplo, com 2.000 posições, apenas cerca de 1.100 começaram o curso de Formação de Soldados, em Sulacap (zona oeste do Rio).

Concurso reprova mais de 80% na primeira fase

A corporação sabe que, apesar do alto número de inscritos, a maioria esmagadora é reprovada durante a seleção. Apenas cerca de 10% a 15% dos candidatos sejam aprovados na primeira fase do certame, as provas escritas. Daí até o fim, muitos candidatos são eliminados nas diversas fases, que incluem exames físico, psicológico (responsável por eliminar em torno de 15% dos candidatos), médicos (clínico, cirúrgico e laboratorial) e a pesquisa social, que pretende verificar se a pessoa tem o perfil desejado para a PM.

Para identificar isso, os candidatos são submetidos a um extenso questionário, de mais de 15 páginas, em que respondem sobre seus hábitos, se consomem drogas, e, entre outras coisas, pede-se até que desenhem um croqui da casa e da escola, com bocas de fumo e ponto de jogo do bicho próximos.

Na fase final desse processo, os pretendentes a policial passam por três entrevistas e recebem a visita de recrutadores. PMs da área de inteligência vão à casa dos postulantes para verificar se vivem em área de risco, perguntam a vizinhos sobre o comportamento dos candidatos, se bebem, usam drogas – há exame de sangue também para identificar o uso de entorpecentes – ou são brigões, por exemplo.


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