Universitário que furtou o ônibus costuma ter amnésia alcoólica

Amigos de Pedro Henrique dizem ao iG que não é a primeira vez que ele esquece de uma noitada e que, nos últimos meses, andava exagerando na bebida

Luísa Girão, iG Rio de Janeiro |

O estudante de Direito Pedro Henrique Garcia de Souza Corrêa dos Santos, de 24 anos, confidenciou a amigos que não se lembra de ter furtado um ônibus e percorrido com ele 23 quilômetros entre o Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, e o bairro de Botafogo, na zona sul da cidade, no último domingo (18). O episódio ocorreu após o jovem ter participado de uma festa a fantasia no centro da capital fluminense e ele acabou sendo interceptado por policiais militares.

De acordo com um amigo de Pedro Henrique, que esteve com ele na delegacia e preferiu não se identificar, o rapaz só teria tido o real conhecimento da situação na delegacia, após ter passado o efeito do álcool. “Quando explicaram tudo, ele entrou em estado de choque e só se perguntava por que tinha feito isso”, afirmou.

Segundo o amigo do universitário, essa não teria sido a primeira vez que o estudante mostrou sinais de amnésia alcoólica. Na semana anterior, Pedro teria ido a uma festa de formatura e, no dia seguinte, não recordava o que tinha acontecido. “Ele me falou que não se lembrava de nada da festa. Nem da mulher com quem tinha ficado”, contou o amigo, acrescentando: “Todo mundo falava para ele não misturar bebida com os remédios que ele tomava. Mas não adiantava muito”.

André Teixeira/Agência O Globo
Pedro Henrique é fotografado após ser preso por policiais militares

De acordo com outro amigo do jovem, que esteve na festa a fantasia com ele, Pedro já mostrava sinais de embriaguez antes mesmo de entrar no evento. “Encontrei com ele na porta, por volta de meia noite, e ele já estava bêbado. A festa ainda tinha bebida liberada, imagino que tenha consumido mais. Por volta de 1h, o encontrei acompanhado de uma menina, com quem ficou a noite toda. Não fui embora com ele. Acho que saiu da festa sozinho”, contou.

Os amigos se dizem surpresos com o caso. “Sabíamos que ele tinha problemas graves de depressão, mas nunca imaginaríamos que ele faria isso”. Pedro Henrique estudou a vida inteira em colégios tradicionais do Rio de Janeiro. Cursou o ensino fundamental no Colégio Santo Inácio e o ensino médio no Colégio Andrews, ambos muito bem colocados no último Enem . “Ele nunca se envolveu em brigas na escola. Gostava de pegar no pé dos amigos, mas tudo de brincadeira.”

Mesmo não tendo arrumado confusões na vida escolar, Pedro tem registros de passagens da polícia. Aos 16 anos, ele e outros três jovens quebraram a janela de um salão de festas de um prédio na Rua Álvaro Ramos, em Botafogo. Ele foi acusado de injúria, violação de domicílio e dano.

“Era o prédio onde ele morava. Ele nem chegou a ser indiciado porque viram que era o próprio ambiente domiciliar dele”, defendeu um amigo da faculdade. Já em julho deste ano, ele foi indiciado por porte de drogas. “Nem sabia que isso tinha acontecido. Descobri com os jornais”, disse o jovem. Já outro amigo afirmou que desconhecia que ele costumasse consumir drogas. “Sabia que ele estava tomando esses remédios e que estava bebendo. Mas nunca fiquei sabendo que ele estava usando drogas”, alegou.

No mesmo ano em que se formou, Pedro passou no vestibular de Direito da Fundação Getúlio Vargas. “Ele ficou muito feliz. Era a faculdade que queria. Estava amarradão”. No entanto, no primeiro período da faculdade, em 2006, a mãe morreu após uma queda ao escalar o morro Pão de Açúcar. “Ela era a base dele, o ponto de apoio. Sempre falava e contava várias histórias dela. Um dia após o aniversário dele, ao voltar de um bloco de carnaval, ele descobriu que a mãe tinha morrido. Foi um baque na vida dele”, lembrou o amigo.

Simone Marinho / Agência O Globo
Um dos carros atingidos pelo ônibus furtado pelo estudante de Direito
Após a morte da mãe, o jovem teria começado a demonstrar sinais de depressão. “Nós o chamávamos para sair e ele não queria. Preferia ficar em casa. Começou a faltar a aulas e até deixou de ir à academia, que adorava”, contou. Pedro Henrique teria então começado a tirar notas baixas. Foi quando foi aconselhado por familiares a procurar ajuda psicológica. “Alguns tempo depois, não sei precisar quando, o médico começou a receitar esses remédios tarjas pretas para ele. O efeito foi positivo, mas ele tinha que tomar o remédio para conseguir sair de casa.”

Segundo os amigos, depois do inicio do tratamento psicológico, ele teria voltado à rotina normal, ir para a faculdade, academia e sair à noite. Mas como sua situação na Fundação Getúlio Vargas não estaria boa, com notas baixas e muitas faltas, ele teria optado por se transferir para a Universidade Cândido Mendes, onde cursava o penúltimo ano de Direito. “Na última segunda-feira, ele ia começar um estágio em um dos melhores escritórios de advocacia do Rio”, lamentou o amigo.

Nos últimos meses, Pedro teria mostrado sinais de que não estava muito bem. “A gente estava preocupado com ele porque estava bebendo muito. E sabíamos que ele não podia. Tinha dias que encontrava com ele no bar e tinha várias latinhas de cerveja em volta dele”.

Os amigos de Pedro pretendem se reunir ainda nesta semana para escrever cartas de apoio ao estudante, transferido na segunda-feira (19) para o presídio Ary Franco, em Água Santa. “Sabemos que ele cometeu um erro grave. Ele também sabe. Mas queremos fazer uma corrente positiva para que ele saia da prisão o quanto antes. Estamos arrasados com isso tudo. Ele não é um bandido”, defende o amigo.

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