Turista francês morre após cair de bonde nos Arcos da Lapa

Após acidente, vítima teve pertences roubados. Passageiros desmentem secretaria e afirmam que bonde saiu de estação com passageiro em pé

iG Rio de Janeiro |

Mônica Imbuzeiro/Agência O Globo
Tela de segurança que protege os bondinhos que passam pelos Arcos da Lapa. Corpo teria passado por um vão e caiu no solo
Um turista francês, identificado como Damien Pirson, de 24 anos, morreu após cair de um bonde que passava pelos Arcos da Lapa, na região central do Rio de Janeiro, na tarde desta sexta-feira (24), informou a Polícia Militar.

De acordo com a PM, ele teria se desequilibrado e caído de uma altura entre 15 a 20 metros. Segundo a Polícia Civil, quando o estrangeiro estava caído no chão e agonizando, após a queda, ele teve a câmera fotográfica e outros pertences roubados.

O trajeto do bonde no Rio liga o centro ao tradicional bairro de Santa Teresa. Em razão do acidente, a circulação foi suspensa.

Passageiros pendurados

Em nota, a Secretaria Estadual de Transportes informou que o bonde deixou a estação da Carioca com 40 pessoas embarcadas, limite máximo permitido, e sem passageiros no estribo.

Testemunhas que estavam no bonde, entretanto, contestam a informação. E afirmam que o bonde partiu com o turista francês e outros pendurados do lado de fora. "Ninguém avisou que não podia andar em pé no estribo. E disseram que é comum as pessoas irem penduradas", afirmou a pedagoga Débora Perillo Samori, 33 anos, que fazia, com parentes, sua primeira viagem no veículo.

Não só isso, segundo ela. "Anunciaram no alto-falante da estação de embarque que quem quisesse podia ficar em pé e não pagaria passagem. Nós estávamos há uma hora na fila e começou uma segunda fila paralela em que o rapaz francês entrou com a acompanhante dele (que seria uma turista alemã). Eles tinham acabado de chegar".

Divulgação/Riotur
Apesar de a Secretaria de Transportes ter informado que ninguém estava pendurado no bonde, prática de andar no estribo é comum e tolerada
Tela que não protege

No bonde, o turista francês ficou em pé ao lado do administrador Hamilton Moretto, 56 anos. Ele conta que Damien estava em pé, no estribo, segurava nas barras com as duas mãos e, nas curvas, chegou a encostar nele em duas ou três vezes. E que o acidente foi muito rápido.

"Ele foi entregar a máquina fotográfica para a amiga, que estava uns dois bancos distante. Soltou uma das mãos e deu um passo para a frente. O outro pé escorregou e ele não teve como se segurar. O bonde continuou um pouco. Eu olhei para trás e pensei que ele estivesse preso na tela de proteção, mas não o vi. Quando olhei para baixo, ele estava lá, caído". 

Para Hamilton, a tela de proteção não cumpriu sua função como deveria. "Não há segurança nenhuma ali. A tela devia proteger, mas era evidente que não havia manutenção. Aquele não era o único ponto aberto", critica. 

Em nota à imprensa, a assessoria da Secretaria Estadual de Transportes afirmou que "em medida de segurança, ao cruzar os Arcos da Lapa, os bondes reduzem sua velocidade para apenas 5km/h, a fim de reduzir qualquer possibilidade de risco à integridade física de seus passageiros. Em reunião há menos de uma semana com a Diretoria de Engenharia da Secretaria de Transportes, o IPHAN apresentou o projeto já contratado para a completa revitalização das grades que margeiam os Arcos."





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