¿Foi como se uma bomba de lama tivesse caído em plena estação do turismo", considera dramaturgo Arnaldo Miranda

A tragédia causada pelas fortes chuvas vai exercer um impacto devastador por muito tempo ainda na vida das cidades serranas de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, que têm no turismo, na gastronomia de alto nível e na vida cultural fatores de geração de renda, emprego e atração de visitantes.

No caso de Nova Friburgo, a própria ecologia tem sido um dos cartões postais do município que, em sua página na internet, ressalta o fato de deter uma das maiores áreas de Mata Atlântica do país, com a cidade e as vilas ocupando apenas 4% do território.

"Um parque com uma cidade dentro” é o slogan que a prefeitura de Nova Friburgo usa para vender a imagem turística do município, com suas cachoeiras, rios, lagos e trilhas muito procurados por quem quer ter um contato maior com a natureza, fazer caminhadas ou praticar esportes como mountain bike, canoagem e rafting.

A cidade, fundada no início do século 19 por imigrantes suíços, é também um polo gastronômico, com seus restaurantes especializados em fondues e em outros pratos das culinárias suíça e alemã, além de realizar anualmente dezenas de eventos culturais, como o conhecido Festival de Inverno.

Para o dramaturgo e produtor artístico Arnaldo Miranda, há mais de 30 anos atuando na vida cultural de Friburgo, sua cidade natal, o turismo na região serrana acabou neste verão. “Foi como se uma bomba de lama tivesse caído em plena estação do turismo. A economia da cidade está quebrada”, disse.

O produtor lembra o fato de que a vida cultural na região está intimamente ligada ao turismo. “Tanto em Nova Friburgo, quanto em Teresópolis e Petrópolis, você tem os bares, as casas noturnas e os espaços culturais funcionando de alguma maneira articulados com o movimento turístico da região”, destaca.

Mesmo confiante na capacidade dos três municípios de superar as consequências da tragédia, Miranda teme que o efeito psicológico das imagens de devastação e morte afugente os turistas por muito tempo da região serrana fluminense.

“Já tivemos em Friburgo, Petrópolis e Teresópolis várias ocorrências ligadas à ocupação irregular das encostas, mas o que estamos assistindo agora não tem paralelo. Fora os pesados trabalhos de recuperação, das toneladas de lama e pedra para serem removidas, fica o estigma da tragédia. Quem vai querer vir para cá? Para fazer o quê?”, pergunta.

Para o produtor, qualquer suporte financeiro que venha a ser oferecido para a região serrana em função da tragédia precisa levar em conta a situação da indústria hoteleira, “uma das mais bem equipadas do Estado, com mão de obra qualificada e todo um conjunto de atividades girando em torno dela”.

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