Traficantes do Alemão movimentaram R$ 80 milhões em contas bancárias

Quadrilha fazia moradores depositarem o dinheiro obtido com a venda de drogas em contas de empresas em Belo Horizonte (MG)

iG Rio de Janeiro |

Traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV) movimentaram cerca de R$ 80 milhões durante dez meses em contas bancárias em nomes de laranjas e de empresas, segundo investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

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O esquema era liderado pelo traficante Marcelo da Silva Soares, o Macarrão, que foi preso em agosto, e atuava no Complexo do Alemão, na zona norte da capital. Nesta quarta-feira (7), a polícia deflagrou uma operação para prender pessoas envolvidas no esquema. Quatro suspeitos foram capturados em Minas Gerais, entre eles um homem apontado como o principal gestor da lavagem de dinheiro.

De acordo com o delegado Pedro Medina, titular da Dcod (Delegacia de Combate as Drogas), o dinheiro obtido com a venda de drogas era depositado de forma fracionada e sucessiva, por moradores do Complexo do Alemão em contas de empresas de factoring, localizadas em Belo Horizonte. Em dez dias uma das empresas que integra o esquema recebeu depósitos, que totalizaram R$ 390 mil, todos realizados em agências situadas no Largo da Penha e Ramos, na zona norte carioca.

Segundo o delegado, as empresas investigadas eram constituídas de forma fraudulenta, por um advogado e um despachante. Em cerca de 10 meses circularam pelas contas de pessoas físicas e jurídicas R$ 80 milhões. Em um único dia, a quadrilha movimentou R$ 16 milhões. O dinheiro proveniente do tráfico era misturado à movimentação financeira das empresas para que chegasse ao destinatário final sem levantar suspeitas.

“As empresas são constituídas de forma fraudulenta por essa quadrilha. Essa estrutura utilizada para lavagem de dinheiro foi estagnada, porque a gente conseguiu prender o elemento gestor do negócio. É uma pessoa que tem várias empresas e movimentava em 20 contas uma quantia de R$ 11 milhões por mês. A polícia do Rio de Janeiro conseguiu bloquear o valor de R$ 5 milhões desse esquema”, concluiu o delegado Pedro Medina.

O foco da operação foram os “agentes depositantes”, moradores de comunidades dominadas pela facção criminosa, além de sócios, advogados, despachantes e contadores responsáveis pela constituição de empresas fictícias que participavam do esquema. Todos os envolvidos vão responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

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