Traficante ofereceu R$ 1 milhão para evitar prisão durante ocupação no Alemão

Dinheiro foi oferecido por criminosa conhecida como Sandra Sapatão para que ela e dois comparsas fossem liberados

iG Rio de Janeiro |

A traficante Sandra Helena Ferreira Gabriel, a Sandra Sapatão, ofereceu R$ 1 milhão a policiais militares para que ela e os comparsas Marcus Vinicius da Silva, o Lambari e Emerson Siqueira Rosa, o Neguinho, não fossem presos durante o primeiro dia de ocupação das forças militares no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, em 28 de novembro do ano passado, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (14) pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Apesar da oferta, os três foram presos. Todos atuam na favela do Jacarezinho, também na zona norte. Nesta semana, Lambari e Neguinho, que estavam na penitenciária federal de Catanduvas (PR), foram transferidos para o Rio de Janeiro por decisão da Justiça Federal do PR.

Sobre essa transferência, a juíza Alessandra de Araújo Bilac Moreira Pinto, da 40ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do RJ, suscitou conflito de competência ao presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Ari Pargendler, a fim de que Lambari e Neguinho fiquem em Catanduvas.

O conflito de competência foi suscitado pela juíza, uma vez que o colegiado de juízes de Execução Penal Federal do Paraná entendeu inexistirem razões que justifiquem a permanência dos presos em Catanduvas.

A magistrada, no entanto, afirmou que a permanência de Lambari e Neguinho no Paraná é imprescindível e eficaz no combate ao crime organizado. Ela disse também que o secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, e o Ministério Público estadual consideraram a prisão dos réus no Paraná uma medida de extrema relevância.

“A permanência de presos em presídio federal é medida que se impõe, sendo imprescindível que as lideranças da organização criminosa sejam mantidas o mais distantes possível de sua base de atuação, eis que desta forma se torna mais difícil o fluxo de informações entre os integrantes da organização e novas associações, o que torna possível a desarticulação do grupo”, ressaltou a juíza Alessandra.

Chefe do Jacarezinho

Lambari é apontado como o chefe do tráfico no Jacarezinho e, Neguinho, seu braço direito. Eles foram encaminhados para Catanduvas, em virtude da onda de terror que assolou o Rio de Janeiro, onde ações criminosas organizadas e planejadas de dentro das penitenciárias levaram pânico à cidade, com arrastões, queimas de veículos e ônibus, além de ataques a órgãos públicos.

Ao serem presos junto com Sandra Sapatão, Lambari e Neguinho tinham seu poder carregadores de munição de uso restrito. Os três são acusados de associação para o tráfico, posse ou porte ilegal de armas e tentativa de corrupção.

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