Traficante Nem batia na namorada por causa de ciúmes, revela escuta da polícia

Gravação mostrou Danúbia de Souza Rangel falando que foi agredida pelo companheiro após ter ido a uma festa usando vestido curto

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

Juntos há pelo menos cinco anos e pais de uma menina, o chefe do tráfico na favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem , e sua namorada Danúbia de Souza Rangel, de 27 anos, chamada de a "Xerifa da Rocinha", viviam uma relação de amor e ódio.

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Apesar de todos os mimos do traficante, que presenteava a amada com roupas de grife, joias e passeios paradisíacos, escutas telefônicas feitas por agentes da Polinter revelam que Nem, por ciúmes, batia na companheira.

Os trechos das interceptações constam em processo que tramita na 29ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio.

Um dos casos ocorreu em outubro do ano passado. Uma gravação feita no dia 19 daquele mês revelou uma conversa de Danúbia com uma amiga chamada Gisele em que a primeira-dama da Rocinha relata as agressões.

Danúbia contou que "estava ruim e bêbada" após sair de uma festa e que um amigo de Nem, de nome Serginho Fofão, a levou de motocicleta para casa. Após isso, segundo ela, o mesmo Fofão foi até o traficante contar que a namorada dele estava bêbada e de vestido "curtinho".

"Fiquei toda roxa, com olho roxo e tudo", contou Danúbia para Gisele.

A namorada de Nem, que se referia a ele como "o outro", disse que o traficante ainda quebrou seu telefone celular. Danúbia afirmou ainda para a amiga que, por estar bastante machucada, ficou uma semana sem sair de casa.

Uma outra escuta feita no dia 20 de janeiro, Danúbia conta a uma outra amiga que teve uma briga feia com Nem em um baile na favela da Rocinha e que apanhou dele.

As escutas da Polinter mostraram a paixão da namorada de Nem por roupas e sapatos de grife. Em vários trechos de interceptações, Danúbia fala sobre compras em lojas de Ipanema e de shoppings da zona sul carioca.

Em um deles, comenta que comprou duas sandálias, uma por R$ 300 e outra por R$ 320, na loja Colcci, localizada na rua Garcia D´Ávila, em Ipanema.

Salão de beleza

As investigações mostram que Danúbia é proprietária de um salão de beleza na Rocinha tendo como sócia uma irmã. O estabelecimento, segundo o inquérito, foi inaugurado no dia 18 de outubro do ano passado, com capital social de R$ 10 mil.

Danúbia também não economizava na decoração da casa que morava com Nem, na localidade da Cachopa, na Rocinha. Em uma conversa interceptada pelos policiais, a primeira-dama disse que pagaria R$ 3,5 mil por um serviço de jardinagem.

Na mesma casa, os agentes da Polinter encontraram, em outubro do ano passado, várias roupas de grife, além de eletrodomésticos da última geração como uma televisão de 42 polegadas, uma outra de 32 polegadas e um home theater.

No inquérito da Polinter consta que o casal foi batizado no dia 2 de janeiro em uma igreja da rua Haddock Lobo, na Tijuca, na zona norte.

Danúbia gostava de exibir a vida de luxo que levava e chegou a publicar em um site de relacionamentos fotos suas usando joias caras e roupas de marca. Um álbum de fotos da primeira-dama foi encontrado pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais) durante a ocupação iniciada na Rocinha no último domingo (13).

Apesar de Danúbia não ser considerada foragida já que não tem mandado de prisão pendente, a polícia suspeita que a loira saiu da Rocinha com parte da quadrilha de Nem e teria se refugiado no morro do Urubu, na zona norte, onde há traficantes da mesma facção que a da Rocinha.


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