Tiro que feriu menina na Vila Cruzeiro saiu da arma de militar, diz delegado

Garota de sete anos foi atingida na perna por estilhaços. Quatro militares foram afastados do patrulhamento

AE |

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Thiago Lontra/Agência O Globo
Menina é socorrida pelo pai após ser ferida em tiroteio na Vila Cruzeiro
Os estilhaços de bala que atingiram uma menina de sete anos na manhã desta sexta-feira (16) durante um confronto entre militares da Força de Pacifiação e um traficante da favela Vila Cruzeiro, na Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, saíram do tiro disparado de um fuzil usado por um dos quatro integrantes do Exército que participaram do tiroteio. A informação é do delegado José Pedro da Costa, titular da delegacia da Penha (22ª DP).

A garota, identificada como Franciele dos Santos Silva, estava indo para a escola quando foi atingida na perna esquerda. Ela foi socorrida e levada para o hospital mas já recebeu alta. Os quatro militares envolvidos foram afastados do serviço de patrulhamento.

Segundo o Exército, os militares faziam um patrulhamento de rotina pela Rua 9 na Vila Cruzeiro quando se deparou com um "homem em atitude suspeita". Ao perceber a chegada da tropa, o suspeito sacou uma pistola e teria atirado contra a tropa, um dos militares reagiu e disparou de volta. O homem, ainda não identificado, conseguiu fugir.

"Não sabemos quem é porque foi tudo muito rápido. No meio da perseguição, quando perceberam que havia alguém ferido, os militares voltaram as atenções ao socorro da criança", disse o relações públicas da Força de Pacificação, capitão Rodrigo Sobral. No local, foram apreendidos sete papelotes de cocaína e uma trouxinha de maconha.

O Exército informou a instauração de inquérito policial militar (IPM) para apurar o fato. Os quatro militares foram afastados do patrulhamento e vão desempenhar funções administrativas, até a conclusão do IPM

A dona de casa Maria José dos Santos, de 32 anos, mãe da menina, disse que ouviu somente um tiro. "Estava dentro de casa, escutei o tiro e em seguida ouvi minha filha gritar", disse. Uma cápsula de pistola 9mm, que seria do criminoso, foi encontrada no local pela perícia.

Tráfico

A localidade Rua 9 é a mesma onde militares gravaram, há menos de 15 dias, imagens de traficantes vendendo drogas.

"O policiamento ali foi reforçado, mas a patrulha não fica estacionada e, pelo horário, que não é de muito movimento, até estranhamos a presença desse rapaz lá", disse o capitão Sobral.

Apesar da ocupação da Penha e do Alemão, o próprio Exército admite que o tráfico continua, ainda que "miúdo", nas duas comunidades. Na semana passada, traficantes tentaram invadir os morros da Baiana e Adeus, que desde então estão ocupados pela Polícia Militar.

A comunidade Vila Cruzeiro, que fica ao lado do Complexo do Alemão, também foi ocupada pelo Exército em novembro do ano passado.


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