Teresópolis: Superlotação do IML faz polícia pedir prédio emprestado

Delegado estima que até o início desta quinta-feira, cerca de 200 vítimas sejam levadas para o lugar, que "está saturado"

Flávia Salme, enviada especial a Teresópolis (RJ) |

Com apenas seis câmaras frigoríficas, o IML (Instituto Médico Legal) de Teresópolis, na região serrana do Rio, precisou improvisar um necrotério alternativo para abrigar os corpos de todas as vítimas dos deslizamentos de terra que abalaram a cidade. Até a madrugada desta quarta-feira (12), havia 118 no local. E a polícia estima que no início da manhã desta quinta–feira já sejam 200.

De acordo com o delegado Wellington Pereira, o jeito foi pedir emprestado um imóvel em frente à 110ª DP, onde funciona o IML do município. “No local funcionava uma igreja evangélica, mas agora está vazio. O proprietário mora em Minas Gerais e prontificou-se a nos emprestar para colocarmos os corpos. É um galpão muito grande, que na frente tem salas. Poderemos fazer até um QG ( quartel general ) para tratar da questão”, disse o delegado.

Em consequência da superlotação, os corpos das vítimas precisaram ser acomodados no chão da garagem do IML, lado a lado. Alguns parentes de vítimas disseram que precisaram passar por cima de cadáveres para chegar até seus familiares. “Já temos dois caminhões com 30 corpos em cada um esperando para colocar essas vítimas no galpão. O espaço já está aberto e pronto para o nosso uso”, explicou Pereira.

O delegado afirmou que existem negociações comandadas por autoridades da polícia e do poder judiciário do Rio de Janeiro a fim de garantir o empréstimo de um caminhão frigorífico da Marinha. O equipamento pode ajudar na conservação dos corpos, já que há muitos ainda sem identificação. “Até agora não temos notícia sobre o empréstimo, mas temos esperança de que o caminhão venha para cá”, falou.

Trabalho de identificação deve terminar na noite desta quinta-feira

O comando da Polícia Civil encaminhou equipes de reforço para Teresópolis, com papiloscopistas e peritos criminais. “O trabalho de identificação deve durar até a noite desta quinta-feira (13)”, disse o delegado. “É muita gente. Às vezes acontece de ter uma família inteira soterrada e não ter parente para fazer o reconhecimento”, disse Pereira.

De acordo com o delegado, a maior preocupação é garantir a liberação dos corpos o mais rapidamente possível, para que não entrem em decomposição.

Fila para reconhecer parentes por fotos

Diante da multidão que se aglomerou na porta do IML, os policiais precisaram isolar a 110ª DP e organizar os parentes das vítimas em fila, para que o reconhecimento fosse feito em grupos. Dois inspetores recorreram a um megafone para anunciar o nome das vítimas e localizar seus parentes por meios de sinais ( o parente tinha de levantar os braços ).

Logo na primeira chamada, a comoção tomou conta do lugar. Foram citados em sequência nomes de crianças de 8 meses a 9 anos de idade. Até mesmo quem não era da família chorou. Os parentes eram então orientados a seguir para a porta da delegacia, onde recebiam um álbum com as fotos das vítimas. Se reconhecessem alguma delas, entravam no IML para tratar dos documentos para a liberação dos corpos.

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