Tenente-coronel preso era investigado por juíza, diz delegado

Responsável por investigações disse que Patrícia Acioli apurava envolvimento de oficial em homicídios e casos de corrupção

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Domingos Peixoto / Agência O Globo
Tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira chega para prestar depoimento na Divisão de Homicídios
Responsável pelas investigações do assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli , o titular da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Felipe Ettore, afirmou nesta terça-feira (27) que o ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, vinha sendo investigado pela magistrada por crimes como corrupção e homicídios.

O oficial foi preso durante a madrugada desta terça-feira após um dos três PMs detidos inicialmente pelo crime ter dito que Oliveira seria o mandante do assassinato de Patrícia, cometido no dia 11 de agosto, no município de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

"Há testemunhos que a juíza iria prendê-lo (o ex-comandante). Ela estava em seu encalço buscando elementos para comprovar a participação dele em crimes de homicídio e de corrupção e ele (o tenente-coronel), para não ser preso, lançou mão deste artifício (cometer o crime)", disse Ettore, durante entrevista coletiva na sede do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Também estiveram presentes na coletiva o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, e o presidente do TJ-RJ, desembargador Manuel Alberto Rebêlo dos Santos. A Polícia Militar não enviou representante. O comandante-geral da corporação, coronel Mário Sérgio Brito Duarte, foi submetido a uma cirurgia e ficará afastado por 30 dias.

Pablo Jacob/Agência O Globo
Ex-comandante foi acusado por outro PM como mandante de morte da juíza Patrícia Acioli
Novos depoimentos

O delegado Felipe Ettore informou que nos próximos dias serão colhidos novos depoimentos sobre o caso quando, então, a policia irá apresentar detalhes do crime. Perguntado sobre os motivos que teriam levado nove policiais do GAT (Grupo de Ações Táticas) do 7º BPM a participar da morte da juíza, Ettore respondeu.

"Ainda tem pessoas que irão ser ouvidas. É necessário que a gente não divulgue toda a mecânica do crime para não atrapalhar as próximas oitivas", afirmou. Além de Oliveira, outros nove PMs tiveram a prisão decretada por suspeita de envolvimento no assassinato da magistrada.

Cláudio Luiz presta depoimento na Divisão de Homicídios esta tarde. Em rápida entrevista na entrada da delegacia, ele disse ser inocente e que confia na Justiça de que nada será provado contra ele.

Mudança de batalhão

Questionado se a mudança de Oliveira para o comando do 22º BPM (Complexo da Maré) poderia ter sido uma "promoção", o secretário Beltrame disse que a troca dos comandantes "é uma lógica que ele acha salutar". O tenente-coronel já foi exonerado do batalhão da Maré.

"Faz parte da nossa política essa troca de varios batalhões e, até então, o 7º BPM foi o segundo colocado na redução de crimes. Ele (o tenente-coronel Cláudio Luiz) era um comandante que vinha trabalhando e obtendo resultados tecnicamente favoráveis", afirmou. 

Beltrame, no entanto, reconheceu que havia comentários sobre a conduta do oficial. "Indícios, conversas, esse negócio de que me disseram, me contaram... É difícil de você movimentar uma pessoa (com base em disse me disse) sob pena de cometer algum equívoco. Agora, diante de fatos concretos, não tenho dúvida de que a gente vai agir como vem agindo ao longo de todo esse governo", explicou.

Segurança da juíza

O presidente do TJ-RJ, desembargador Manuel Alberto Rebêlo dos Santos, subiu o tom quando foi perguntado se a segurança da magistrada teria que ser reforçada pelo fato de ela investigar o então comandante do 7º BPM. Irritado, respondeu: "Você sabia disso? Tinha que ter avisado. Sua pergunta não tem pertinência", disse ele para um jornalista.

"Estive com a Patrícia 12, 13 dias antes da morte dela no Tribunal do Júri. Ela brincou muito alegre e sorridente comigo. Era o dia que ela poderia ter falado alguma coisa e não falou absolutamente nada. Não houve nenhum pedido de proteção. Não tenho bola de cristal e não tinha a ideia de que um comandante faria a covardia de matar uma juíza que o estava investigando. É comum jogar a culpa nos outros", finalizou.

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