Suposto negociador de fuzil com Nem trabalhava na Casa Civil estadual

Em vídeo, Alexandre Leopoldino aparece empunhando arma e recebendo dinheiro do líder do tráfico na Rocinha. Ele se entregou à polícia

iG Rio de Janeiro |

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Nem negocia suposta venda de um fuzil AK-47

O homem que aparece no vídeo divulgado nesta sexta-feira (2) pela Polícia Civil trabalhava na Superintendência de Engenharia e Manutenção da Casa Civil do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Nas imagens, Alexandre Leopoldino Pereira da Silva aparece empunhando um fuzil para Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Favela da Rocinha, e recebendo uma quantia do traficante. Alexandre se apresentou à polícia na noite de hoje.

Leia também: Vídeo mostra líder comunitário da Rocinha em uma suposta venda de fuzil

Em nota, a Secretaria de Estado da Casa Civil informou que o suspeito foi exonerado nesta sexta-feira por conta da denúncia de associação para o tráfico de armas. Alexandre trabalhava na pasta desde setembro deste ano e exercia a função de auxiliar de manutenção (zelador).

De acordo com a secretaria, o suspeito foi contratado por indicação de seu ex-chefe, o supervisor de manutenção, Ronald de Jesus Cardoso, contratado em outubro do ano passado. Com a divulgação do vídeo e a exoneração de Alexandre, a pasta descobriu que Ronald é ex-cunhado do suspeito. Como esse fato não havia sido informado na contratação, o supervisor de manutenção também foi exonerado.

Vídeo

O vídeo de 19 minutos divulgado pela Polícia Civil teria sido entregue por uma moradora da Rocinha. Além de Nem e Alexandre Leopoldino, as imagens mostram ainda o ex-presidente da associação de moradores da favela, William de Oliveira, cuja prisão temporária foi decretada nesta sexta-feira (2).

Sem áudio, o vídeo mostra os três homens em uma suposta venda de um fuzil. A situação gravada ocorreu ao lado de uma quadra de esportes na localidade da Rocinha conhecida como Cachopa. Os três homens estavam sentados ao redor de uma mesa de plástico usada em bares.

No vídeo, Nem está usando um boné; William aparece do lado esquerdo do vídeo, e Alexandre está de costas para a câmera. De acordo com a investigação feita pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Alexandre seria o vendedor do fuzil, Nem, o comprador, e William, o intermediador da negociação.

Leia também: Prisão de William expõe proximidade do tráfico com lideranças na Rocinha

No início da gravação, Alexandre aparece empunhando o fuzil. Logo depois, ele tira e coloca o carregador da arma, como se estivesse mostrando a qualidade do armamento. Minutos após, Nem e William conversam, gesticulando. Já quase no final, o traficante começa a contar cédulas, que são presas em elásticos e repassadas a Alexandre. Uma quantia também é dada a William. De acordo com a polícia, essa seria uma comissão pela intermediação da venda.

O ex-presidente da associação de moradores da Rocinha, no entanto, nega ter participado da venda do fuzil. Segundo ele, o montante recebido seria uma doação para sua campanha eleitoral, em 2010. Na ocasião, ele disputou o posto de deputado estadual e perdeu. O líder comunitário vai responder pelos crimes de associação para o tráfico de drogas e intermediação de venda de armas de fogo de uso restrito.

Raphael Gomide
Imagens divulgadas pela polícia mostram a suposta negociação de venda de um fuzil AK-47

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