Na cidade há apenas oito meses, Alcilene Cunha relata momentos de tensão e lamenta perda de quatro familiares

A madrugada da última quarta-feira (12) não será esquecida pela costureira Alcilene Cunha, 40 anos, moradora de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Ela estava dormindo quando, por volta das 4h, ouviu um forte barulho no bairro de Rosa Branca, onde morava com o irmão. "Pensei que fosse um trovão, mas na verdade eram as casas desabando", contou, em entrevista ao iG . "Só deu tempo de pegar meus documentos."

Alcilene e o irmão conseguiram sobreviver à tragédia, mas quatro integrantes da família estão entre as mais de 160 vítimas fatais registradas na cidade desde o temporal de terça-feira.

A costureira perdeu a irmã, Cláudia, o cunhado Israel e os sobrinhos Alan e Alisson, que há cerca de um ano moravam no mesmo bairro de Rosa Branca, localizado no distrito de Conselheiro Paulino.

Assim como Cláudia, Alcilene deixou Niterói para buscar melhores condições de trabalho em Nova Friburgo. "É triste ver uma cidade bonita como essa se acabar em lama e água", afirmou, emocionada.

A costureira chegou ao município há apenas oito meses e aos fins de semana visita o marido e as duas filhas, que ainda vivem em Niterói. Lá, Alcilene passou por uma tragédia parecida: moradora do bairro Novo México, ela perdeu amigos nos deslizamentos de abril de 2010.

Na época, sua casa não foi atingida. Agora, em Nova Friburgo, ela se viu obrigada a buscar a ajuda de conhecidos depois de o local onde vivia com o irmão ter sido interditado. A destruição é tanta que, até agora, nem a Defesa Civil conseguiu chegar até lá.

Na tarde desta quinta-feira, a costureira aguardava a chegada dos corpos de seus familiares à capela localizada ao lado do cemitério João Batista, no centro de Nova Friburgo. Ali, dará o último adeus à irmã. "Esta tragédia vai ficar para sempre na memória", afirmou.

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