Sindicato não chega a acordo; greve continua no Rio

Paralisação dos rodoviários da capital fluminense teve início à meia-noite

Anderson Dezan iG Rio de Janeiro |

O sindicato dos rodoviários do município do Rio de Janeiro e os representantes das empresas de ônibus não chegaram a um acordo na tarde desta segunda-feira durante audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ). Sendo assim, a paralisação, iniciada à meia-noite, permanece. Os rodoviários irão participar ainda nesta segunda-feira de uma nova assembléia para definir os rumos da greve.

Durante a audiência no TRT-RJ, a desembargadora Glória Regina Ferreira Mello não decretou a ilegalidade da paralisação, conforme solicitava o sindicato patronal – Rio Ônibus. A magistrada, no entanto, determinou que 70% da frota de ônibus municipais circulem no horário de rush. Nos demais horários, pelo menos 40% do total devem circular.

Futura Press
Fila de passageiros no Terminal Rodoviário de Campo Grande, na zona oeste do Rio
De acordo com a secretaria municipal de Transportes, a cidade do Rio possui cerca de 900 linhas de ônibus em circulação, com média diária de 3,4 milhões de passageiros.

“Vamos realizar a assembléia e tomar uma decisão. Não estamos satisfeitos com as propostas oferecidas pelas empresas, mas precisamos chegar a um acordo conjunto. Se optarmos pela continuação da greve, iremos cumprir a determinação da desembargadora”, disse o vice-presidente do sindicato dos rodoviários, Oswaldo Garcia, ao iG .

Entre os pedidos feitos pelos grevistas estão o aumento real de 15% no salário, um vale-alimentação de R$ 150, o fim imediato da dupla função com retorno dos cobradores aos ônibus e plano de saúde para toda a categoria. Segundo a Rio Ônibus, a paralisação é injustificada porque o acordo coletivo da categoria foi assinado em março deste ano, estando “devidamente registrado na Delegacia Regional do Trabalho”.

Transportes

Com o intuito de diminuir o impacto da greve aos passageiros, a secretaria estadual de Transportes determinou que trens, metrô e barcas operem em esquema especial no rush noturno. O metrô está operando com toda a frota e as bilheterias continuam trabalhando com reforço de funcionários.

A concessionária Metrô Rio informa que seis das 17 linhas de integração, administradas por empresas de ônibus parceiras, foram afetadas pela greve dos rodoviários. As linhas Oeste Expresso 2 (Coelho Neto –Bangu), 591 A (Cardeal Arcoverde - Leme ), 638 A (São Francisco Xavier – Méier) e 401 A (Estácio - Rio Comprido) não estão operando temporariamente. As linhas 413 A (Saens Peña – Muda) e Barra Expresso (Ipanema/Alvorada) estão circulando com intervalos irregulares.

A concessionária SuperVia, que administra a rede ferroviária, está circulando com 100% da frota e mantém o reforço nas áreas de segurança e atendimento. Pela manhã, a empresa realizou quatro viagens extras e registrou aumento de 30 mil passageiros.

Já a concessionária Barcas S/A passa a operar com intervalo de 10 minutos na linha Rio-Niterói, até às 20h. A concessionária informou que haverá embarcações tradicionais para eventuais viagens extras.

Transtornos

AE
Com paralisação, longas filas se formaram nos pontos de ônibus do Rio
Pela manhã, o presidente do sindicato dos rodoviários do município do Rio de Janeiro, Antônio Branco, disse ao iG que a paralisação contava com a adesão de 70% dos motoristas. O sindicato patronal – Rio Ônibus – informou em nota que a greve não mobilizou toda a categoria e causou maiores problemas apenas em 7 das 47 empresas da cidade, concentrando-se em áreas específicas, como a Barra da Tijuca, Jacarepaguá e parte da zona norte.

As empresas mais afetadas pela paralisação foram a Viação Redentor, a Litoral Rio Transportes, a Transportes Santa Maria, as viações Acari e Verdun, a Transportes Estrela e a Rodoviária A. Matias.

O contador Carlos Eduardo Machado, morador da Abolição, na zona norte, enfrentou problemas para chegar ao trabalho em Botafogo, na zona sul. “Cheguei ao ponto final por volta das 7h30 e não havia nem despachante lá. A fila estava enorme e, só às 10h, chegou um funcionário e informou que somente sete ônibus estavam circulando”, relatou.

A universitária Deborah Ferreira também enfrentou problemas para chegar à PUC-RJ, na Gávea, zona sul do Rio. “Pedi carona ao meu pai para ir à faculdade porque não tinha ônibus circulando. Cheguei lá e menos da metade dos alunos tinha ido. Decidi voltar para casa”, contou. Segundo ela, somente um ônibus estava parado no terminal rodoviário localizado próximo à universidade e os fiscais informaram que o intervalo entre os coletivos estava irregular.

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