Sérgio Cabral nomeia interventor para os bondes

Presidente de órgão estadual que combate a máfia das vans, Rogério Onofre é o escolhido do governador

iG Rio de Janeiro |

Anderson Ramos
Peritos da Polícia Civil analisam o bonde acidentado
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, vai nomear o presidente do Detro (Departamento Estadual de Transportes Rodoviários), Rogério Onofre, como interventor do serviço dos bondes que circulam pelo bairro de Santa Teresa, na região central da capital fluminense.

No último sábado (27), um bondinho descarrilou e tombou na rua Almirante Alexandrino. Cinco pessoas morreram e 57 ficaram feridas. Atualmente, os bondes são administrados pela Companhia Estadual de Engenharia e Logística.

O governo ainda não deu detalhes sobre como será a atuação de Onofre nos bondes. Ele está há muitos anos à frente do Detro e sua gestão tem sido marcada pela repressão ao transporte alternativo irregular na região metropolitana. Por diversas vezes, recebeu ameaças de morte.

Inquérito

O Ministério Público anunciou hoje a instauração de um inquérito sobre o acidente. A investigação tentará identificar as reais condições de operação, manutenção, conservação e uso do bonde acidentado. Fortes.

A instauração do inquérito tem por base a garantia de direitos básicos do consumidor como a prestação adequada e eficaz dos serviços públicos; a vedação ao prestador de serviços da colocação no mercado de consumo um serviço que represente risco à saúde e à segurança do consumidor; devendo responder à investigação os órgãos públicos em si, ou por meio de suas concessionárias.

A Promotoria oficiou a empresa pública que administra os bondinhos, a Secretaria Estadual de Transportes, a Agência Reguladora dos Transportes Públicos (Agetransp) e os demais órgãos envolvidos na apuração dos fatos.

O Ministério Público lembrou ter ajuizado uma ação civil pública em 2008 em que requereu que o Estado e a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística fossem condenados a reformar os bondes de Santa Teresa, a via férrea e aérea, a oficina de bondes, entre outras medidas de recuperação do sistema.

Segundo a Promotoria, o Tribunal de Justiça (TJ-RJ) já decidiu pelo cumprimento das medidas exigidas pelo MP em 1ª e 2ª instâncias. O Estado vem recorrendo da decisão. Hoje o processo está na Vice-Presidência do TJ-RJ, que analisa um recurso especial que poderá levar o processo para decisão em instâncias superiores, em Brasília.

Oficina
O secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, disse ontem que o condutor do bondinho de Santa Teresa que tombou deveria ter levado o veículo para a oficina. A orientação teria sido repassada ao motorneiro Nelson da Silva, de 57 anos, porque o bonde havia colidido com um ônibus menos de uma hora antes do acidente.

Julio Lopes, no entanto, não soube explicar o motivo que levou o condutor a manter o bonde em operação quando já o levava para a garagem. Segundo o secretário, a orientação foi repassada na Estação Carioca. Nelson subiu para Santa Teresa com o bonde vazio, mas, por alguma razão, não chegou à garagem.

Perguntado se a responsabilidade pelo acidente seria do condutor, Júlio Lopes preferiu não fazer conjecturas precipitadas.

“Não queremos fazer e não faremos qualquer conclusão precipitada, qualquer ilação”, mas admitiu que a superlotação pode ter contribuído para o acidente. Lembrou que um episódio semelhante ocorreu em 1974, provocado também por superlotação. “É um problema cultural com o qual a gente vem se debatendo há muito tempo”.

A Polícia Civil também abriu inquérito para apurar as causas do acidente e apontar os responsáveis. A Promotoria recebeu ontem um relatório elaborado pela Câmara Municipal do Rio que indicou que os mecânicos substituíam peças entre os bondes e que a oficina estava em completo abandono.

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