'Sentimento foi de ódio', diz coveiro que enterrou corpo

Leandro Silva Oliveira afirma que nunca sentiu nada igual em três anos de profissão ao enterrar corpo do atirador de Realengo

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro | 22/04/2011 12:39

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Foto: Sabrina Lorenzi/iG Ampliar

O coveiro Leandro Silva Oliveira foi encarregado de enterrar Wellington Menezes de Oliveira, autor da chacina em Realengo

Há três anos trabalhando como coveiro, Leandro Silva Oliveira, de 25 anos, disse que nunca sentiu nada igual no exercício da profissão. Coube a ele enterrar o corpo de Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, ocorrido no último dia 7.

O corpo do atirador foi enterrado na manhã desta sexta-feira (22), em uma cova simples no cemitério do Caju, na zona portuária da cidade.

"O sentimento foi de ódio. Acho que um cara desses não merecia ser enterrado", diz o coveiro.

Leandro afirma que foi pego de surpresa ao saber que teria de enterrar o corpo do atirador. O sepultamento, segundo ele, ocorreu por volta das 8h30. "Eu estava bem, mas cheguei aqui e encontrei essa tarefa."

Coveiro queria ver o rosto do atirador

O coveiro conta que o corpo exalava um cheiro muito forte em razão de ter ficado 15 dias no IML (Instituto Médico Legal). Segundo ele, dois funcionários da Santa Casa de Misericórdia o ajudaram na ação e todos queriam ver o rosto do atirador, mas não foram autorizados. O caixão com o corpo de Wellington chegou fechado ao cemitério e permaneceu assim até ser colocado dentro da cova.

O enterro de Wellington foi gratuito. Responsável pelo sepultamento, a Santa Casa de Misericórdia informa que, por dia, realiza de cinco a seis enterros no cemitério do Caju sem cobrar nada.

O atirador não foi enterrado como indigente porque o corpo saiu identificado do IML. Nenhum parente foi até o necrotério reconhecer o cadáver nem compareceu ao sepultamento.

Wellington queria ser enterrado em outro lugar

O enterro de Wellington foi realizado em um local diferente do que ele desejava. Uma carta apreendida em uma mochila do atirador que foi levada para a escola, o assassino dizia que gostaria de ser enterrado no cemitério do Murundu, em Realengo, ao lado do corpo da mãe.

Vídeos apreendidos pela polícia revelaram que Wellington já planejava um ataque à uma escola desde o ano passado. Imagens mostraram o atirador dizendo que esteve na Tasso da Silveira três dias antes do massacre e que se preparou para o crime em um hotel, no bairro do Valqueire, na zona norte, onde teria passado a noite anterior da tragédia.

Assassino se matou

Após atirar nos estudantes, Wellington foi baleado por um PM na barriga e na perna e, em seguida, se matou com um tiro na cabeça. Laudo do IML indicou que o atirador cometeu suicídio.

Ele usava duas armas no dia da tragédia. Um revólver calibre 38 e outro calibre 32. Três homens suspeitos de venderem o armamento para Wellington foram presos.

Wellington, segundo policiais da Divisão de Homicídios, teria efetuado 66 disparos na hora do massacre. Ele usava um cinto de guarnição semelhante aos de PMs, onde foram encontradas outras 24 balas.

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