Sem plano de evacuar população, prefeito faz alerta às pressas

Comportas de represa tiveram de ser abertas e inundaram parte da cidade de Areal

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Águas do Rio Preto tomaram conta de parte da cidade, após abertura de represa

O secretário de Governo do município de Areal, Igor Silva, afirmou ao iG que a cidade não tem um plano de evacuação dos moradores ribeirinhos em caso de uma cheia abrupta do Rio Preto – como ocorreu na madrugada do último dia 12.

“Nunca fomos informados do risco de inundação pela concessionária que administra a represa no rio. A própria prefeitura que percebeu o nível de água subindo e eu mesmo liguei para os responsáveis pela represa”, disse.

A represa pertence à Quanta Energia S/A e está instalada na cidade de Areal desde 1959. Ela é a responsável pela distribuição de energia para os cerca de 11 mil habitantes da cidade.

De acordo com Ricardo Magalhães, responsável técnico da empresa, três comportas começaram a ser abertas às 8h de quarta-feira (12), de forma gradativa, com abertura total às 21h do mesmo dia.

“O nível do rio Preto subiu muito acima do normal. Avisamos ao secretário de Governo que as comportas seriam abertas. A represa deu tempo para as pessoas saírem da região próxima ao rio, e conteve a água que veio de Teresópolis por causa da chuva”.

A afirmação do aviso é contrariada pelo próprio secretário. “Se não fosse a prefeitura, haveria inúmeros mortos. Nós percebemos o nível do rio aumentando e ligamos para a Quanta. Ao saber da abertura das comportas, providenciamos um carro de som para evacuar os moradores. Foi o que pudemos fazer”.

null

Ainda segundo Silva, em menos de quatro horas, o rio aumentou de 8 a 10 metros de altura, arrastou casas e destruiu ruas. “Conseguimos tirar todos a tempo e não tivemos mortes. São cerca de 1.000 desalojados ou desabrigados neste momento”.

Os moradores estão abrigados em colégios e igrejas da cidade, que também registrou a queda de pelo menos 50 casas. Outras 50 devem ser interditadas pela Defesa Civil, de acordo com a prefeitura. Os bairros mais atingidos foram Amazonas, Alberto Torres e Afonsina.

Magalhães disse que a partir de agora irá traçar um plano de aviso de emergências com a prefeitura. Já o secretário de governo afirmou que pretende estipular um plano de evacuação a partir da experiência.
Na tarde desta sexta-feira (14), representantes do governo do Estado do Rio estiveram na cidade que decretou estado de calamidade pública. Recursos financeiros devem ser enviados nos próximos dias, segundo Silva.

    Leia tudo sobre: Arealchuvas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG