Sem invasão policial iminente, Rocinha volta à normalidade

Após dias de tensão e toque de recolher, barricadas são retiradas e favela retoma rotina. Traficantes atuam com discrição nas ruas

iG Rio de Janeiro |

Depois de dias de tensão entre a quinta-feira e o sábado, quando houve fortes boatos de que haveria uma megaoperação policial na favela, a Rocinha voltou à normalidade nesta segunda-feira (29). A reportagem do iG circulou a pé e de mototáxi por cerca de três horas pela comunidade e conversou com moradores, líderes comunitários e operários do PAC que atuam em obras no local.

É visível que, após o toque de recolher dos traficantes e a implantação de barricadas no fim da semana passada, o clima de tensão foi aliviado na Rocinha, com a percepção geral de que as forças de segurança não devem atacar a curto prazo. As barricadas foram retiradas, e traficantes voltaram a circular com discrição, após dias de “atividade” e presença ostensiva, à espera de um ataque policial.

Nesta tarde, as ruas e vielas da favela estavam lotadas, como de costume, no vaivém incessante de motos e moradores.

Traficantes atuam em pontos de venda de droga, evitando ostentar fuzis, como vinham fazendo, em espécie de preparativo para a guerra. Na semana passada, temendo uma operação policial semelhante à do Complexo do Alemão, traficantes tinham feito barricadas, impuseram toque de recolher para as 22h, e as ruas ficaram desertas. Um carro de som da associação de moradores rodou pelas ruas pedindo que as pessoas mantivessem a tranquilidade e a rotina, porque não haveria incursões policiais no local.

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame e o chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski já avisaram que chegará a hora da Rocinha, mas por enquanto estão ocupados o bastante com a megaoperação no Complexo do Alemão. “Vamos chegar à Rocinha e ao Vidigal”, disse Beltrame, no domingo, entretanto sem precisar data.

Acordo fechado e desfeito com facção rival

Na noite de sexta-feira (20), às vésperas do início da onda de violência, criminosos da Rocinha receberam a inusitada visita de traficantes do Complexo do Alemão, de facção rival, e chegaram a fechar um acordo que previa ataques conjuntos no Rio. O pacto chegou a ser anunciado ao microfone no baile funk dos traficantes no morro, naquela noite.

Porém lideranças presas do bando que comanda a favela na zona sul se manifestaram contrários à decisão de união, e o chefe da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, reconsiderou a decisão. Recuou e não participou dos atos de violência que tomaram a Região Metropolitana.

O grupo da Rocinha centraliza suas ações no comércio da droga, e evita ações de grande impacto e violência no “asfalto”, como é praxe da facção do Alemão, notória por roubos de carros e bondes de traficantes. Por esse motivo, as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) têm como principal foco favelas dominadas por esta corrente da marginalidade, maior prejudicada pela política de segurança.

Os bandidos da Rocinha, maior entreposto comercial de sua facção, levaram isso em conta antes de atrair a atenção para sua favela, ganhando, assim, fôlego e tempo.

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