Secretário de Saúde do Rio não descarta epidemia de dengue no próximo verão

Sérgio Côrtes diz desconhecer a dimensão da circulação do vírus do tipo 4, mas afirma que a nova cepa não é mais agressiva

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

O secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes, disse na manhã desta quinta-feira (24) que o Estado ainda desconhece a dimensão da circulação do vírus tipo 4 da dengue, mas não descartou a possibilidade de uma epidemia da doença no próximo verão. “Vamos ter epidemia? Eu não sei. Não posso dizer nem que sim e nem que não. Sei que temos que continuar o combate”.

Côrtes ressaltou que a nova cepa não é mais agressiva que os vírus tipos 1, 2 e 3. Segundo ele, a preocupação do governo neste momento é evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da doença. “O vírus tipo 4, felizmente, não tem se mostrado mais agressivo. Entretanto, eu não queria que se diminuísse a atenção no diz que respeito ao combate”, afirmou em entrevista coletiva no gabinete de crise da dengue da Defesa Civil estadual do Rio.

Casos confirmados

Na quarta-feira (23), a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil confirmou dois casos de infecção pelo tipo 4 do vírus da dengue no Rio.

De acordo com a pasta, esta modalidade da doença atingiu duas irmãs, de 21 e 22 anos, que moram no município de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Elas já se recuperaram e passam bem. Segundo a secretaria, como as duas não viajaram recentemente, a investigação indica que as irmãs tenham contraído a doença dentro do Estado do Rio.

De acordo com o superintendente de Vigilância Epidemiológica do Estado, Alexandre Chiepp, é possível que haja outras vitimas da dengue tipo 4 no Rio, uma vez que os exames são feitos por amostragem. “Mas não é importante definir se a pessoa tem um tipo ou outro do vírus, ou fazer exame laboratorial. A conduta tem que ser o exame clinico para o possível tratamento”, disse Chiepp.

Dengue tipo 4

Durante a entrevista, Côrtes destacou que o tipo 4 não leva à dengue hemorrágica. “Sabemos que o que leva a esses casos é a infecção repetida do vírus da dengue”. Segundo o secretário, o vírus tipo 1 ainda é predominante no Rio e que há registro do tipo 2 circulando no interior do Estado. “E casos isolados do tipo 3 em alguns municípios”, completou, sem especificar as cidades.

Apesar de não ser mais grave, o tipo 4 representa risco porque a maior parte da população não teve contato prévio com o vírus. Ao contrair dengue, a pessoa se torna imune contra o tipo de vírus que provocou a doença, mas continua sujeita à contaminação pelas outras três formas conhecidas.

Metodologia

O secretário Sérgio Côrtes afirmou que as equipes de saúde dos hospitais do Rio foram treinadas para diagnosticar possíveis casos. Ele ressaltou que, quando forem identificados sintomas, como febre, dor no corpo, nos olhos, nas juntas e manchas vermelhas espalhadas pelo corpo, os casos devem ser tratados como suspeita de dengue.

Segundo o secretário, o Estado do Rio vai mudar a estratégia de combate ao mosquito Aedes Aegypti. “Vamos introduzir uma nova metodologia. Passaremos a fiscalizar o controle das visitas dos agentes de endemias. Queremos chegar aos detalhes, ou seja, se o foco está em um vaso de planta ou em uma caixa d´água”, informou.

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