'Se soubesse, nunca teria vendido a arma', diz negociador

Dois homens ganharam R$ 30 reais cada para entregar ao atirador revólver usado no massacre em escola no Rio

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

George Magaraia
O vigia Izaías de Souza, 48 anos, e o chaveiro Charleston Souza de Lucena, 38, que negociaram arma usada em massacre em escola no Rio

Os dois homens que comercializaram o revólver calibre 32 usado no massacre na escola em Realengo, no Rio de Janeiro, afirmaram que se soubessem que a arma seria usada para atacar crianças não a teriam vendido a Wellington.

O chaveiro Charleston Souza de Lucena, 38, e o vigia Izaías de Souza, 48, admitiram na Delegacia de Homicídios ter recebido R$ 30 cada por intermediar o negócio, na primeira quinzena de janeiro. O dono da arma, que ficou com R$ 200, ainda está sendo procurado.

“Se eu soubesse que era para isso, jamais teria feito. Tenho seis filhos e quatro enteados. Sou vigia, não sou negociador de armas. Agora vamos ter que pagar”, disse Izaías.

“Bateu o arrependimento. Se eu soubesse não teria vendido. Fizemos sem maldade. Me arrependo muito”, afirmou Charleston.

Ambos foram indiciados por comércio de arma de fogo – cuja pena varia de quatro a oito anos –, e não responderão como co-autores do assassinato das crianças. Eles estão com prisão preventiva decretada.

A arma pertenceria a um terceiro homem, que identificaram apenas como Robson, suposto criminoso de Sepetiba. Segundo eles, Robson foi sequestrado por traficantes da região no carnaval e estaria desaparecido desde então.

De acordo com os depoimentos, Wellington pediu uma arma ao chaveiro para sua defesa. Charleston contatou Izaías, que obteve o revólver com o homem identificado como Robson e a repassou ao chaveiro.

“Eu moro em frente a um colégio, onde estudam minha filha, 6 anos, e minha enteada, de 8. Quando vi na televisão, logo imaginei que poderia ter sido lá. Vieram lágrimas nos meus olhos. Vou fazer o quê agora?” disse Izaías.

O vigia não considera que possa ser responsabilizado pela morte das crianças. “Tenho parte da culpa, indiretamente. Jamais ia saber que era para fazer o que fez. Não posso ter participação no assassinato diretamente”, afirmou.

George Magaraia
Izaías: "Tenho parte da culpa, indiretamente"

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