'Se precisar, eu abandono o emprego para ajudar', diz ritmista

Integrantes de escolas se unem e pretendem reconstruir escola para o desfile; prejuízos devem chegar a R$ 8 milhões

Fábio Grellet, especial para o iG |

Lágrimas, cinzas e solidariedade. Após ver o trabalho de um ano inteiro ser destruído em minutos, o sentimento dos integrantes das três escolas de samba atingidas pelo incêndio que consumiu os barracões de Portela, Grande Rio e União da Ilha, nesta segunda-feira (7), no Rio, era um só: tristeza.

Fabrizia Granatieri
Ritmista mostra tatuagem que fez em homenagem à Escola Grande Rio
“Seríamos campeões, e de repente tudo acabou. Eu ainda não consigo acreditar”, afirmava o técnico em telecomunicações Vagner Ramos, 34 anos, que desde 2003 toca agogô na bateria da Grande Rio. “Há três meses fiz essa tatuagem”, conta, entre lágrimas, enquanto mostra o braço tatuado com o brasão da escola de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ao lado da frase “Bateria invocada”.

Ao saber da tragédia, ele deixou de ir trabalhar para seguir rumo ao barracão. “Para ajudar minha escola, eu largo o emprego, fico 24 horas aqui [no barracão da Grande Rio] e faço o que for preciso”, contou Ramos. “Se for demitido, não vou reclamar. Estarei feliz porque minha vida está aqui”, conta.

“Sempre digo que, se cortarem meu pulso, vai jorrar tinta verde e vermelha”, afirma, referindo-se a duas das cores da Grande Rio.

A passista Marisa Santos, 30 anos, também estava em prantos, nesta segunda. “Desfilo há 13 anos na escola e moro pertinho daqui. Por isso, convivo mais com o pessoal da escola do que com minha própria família. E adoro isso”, conta, chorando. “Ontem mesmo fizemos um ensaio lindo em Caxias, e horas depois tudo é destruído”, lamenta.

O chefe de ateliê Robson Pantoja, 25 anos, estava no barracão quando o fogo começou. “Eu dormia lá. Acordei com um cheiro de fumaça e pessoas gritando, aí saí correndo, apenas com a roupa do corpo”, relembra.

Mestre Ciça, o responsável pela bateria da escola, também lamentou o incêndio. “Isso tira o chão da gente, deixa a gente arrasado”, afirmou.

Durante a tarde, o ator Marcos Paulo, que há seis anos desfila na ala da diretoria da escola, foi à Cidade do Samba para conferir o estrago. “Sei que não há tempo para refazer o que foi destruído, mas a palavra de ordem é solidariedade. No que precisar, estou à disposição”, afirmou o ator, acompanhado pela namorada Antonia Fontenelle, que é musa da escola.

Na Portela, a aderecista Tereza Silva Souza, 67 anos, também lamentava o incêndio. “Trabalho com Carnaval há mais de 25 anos, e meu carro na Portela estava quase pronto. Ainda bem que ele escapou do fogo”, constatava, aliviada. “Tenho passado 24 horas aqui, trabalhando para que o carro fique pronto. Quando vi a notícia pela TV, temi que não tivesse sobrado nada”, afirmou.

“Agora não é hora de lamentar, vamos fazer de tudo para levar à avenida um Carnaval decente, o melhor possível”, contava o presidente da Portela, Nilo Figueiredo.

Balanço

O incêndio desta segunda pode ter gerado um prejuízo de R$ 8 milhões, calcula Ailton Guimarães Jorge Júnior, administrador da Cidade do Samba. Na noite desta segunda, os presidentes das escolas de samba do Grupo Especial vão se reunir para decidir o que farão quanto ao próximo carnaval.

A hipótese mais provável é que não haja descenso. Nenhuma escola cairia para o Acesso, e em 2012 haveria 13 agremiações no Especial. Duas agremiações cairiam e uma subiria.

No próximo sábado, a União da Ilha fará seu segundo ensaio técnico na Sapucaí, que por enquanto está mantido. As três escolas atingidas pelo incêndio desfilam no mesmo dia, segunda-feira, 7 de março.

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