'Se não achar o corpo, parece mentira', diz família de desaparecida

Parentes de Yokania Mauro, 34 anos, desaparecida após desabamento no Rio, fazem campanha para que não terminem buscas por corpos

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Arquivo pessoal
Paula, à esquerda, e a prima Yokania, desaparecida, à direita
A cada dia que passa, a angústia aumenta. A dor pelo desaparecimento de um parente fica ainda maior diante da impotência. É assim que se sente Paula Bastone Zerlotini, 37 anos, prima da analista de negócios Yokania Bastone Mauro, de 34 anos, desaparecida após o desabamento dos prédios no centro do Rio de Janeiro. 

No último dia 25, por volta de 18h, Yokania ligou para a mãe, Vera, e avisou que iria para um curso de informática no Edifício Liberdade. Menos de três horas depois, o desabamento era divulgado pela mídia.

Mais duas pessoas, vítimas dos desabamentos, são identificadas

Vera sabia que a filha estudava para ser admitida em um novo emprego no Rio, na empresa TO Tecnologia. Ao ter notícias de que o desabamento ocorreu perto do Theatro Municipal, Vera sentiu o coração apertar, pois era esta a referência que ela tinha do curso frequentado pela filha.

Tudo ficou ainda mais difícil quando uma colega de apartamento de Yokania ligou para Vera e disse ter estranhado o fato de ela não ter dormido em casa na noite da tragédia no Rio.

“Ela sempre foi uma pessoa alegre, feliz, cativante e de bem com a vida. Nunca imaginávamos que este tipo de coisa pode acontecer com a gente. Notícia boa a gente sabe que não vem, mas, por mais que a gente tenha essa consciência, se não achar o corpo, fica a sensação de que é mentira. Fica uma sensação de que a qualquer momento ela pode aparecer”, diz Paula, que começou uma campanha pelo Facebook para que as buscas por corpos nos destroços não termine.

 Vera está no Rio de Janeiro desde que soube do desabamento e já forneceu material genético para ser confrontado com corpos localizados pelo governo do Rio. Vivendo à base de calmantes, a mãe de Yokania aguarda ansiosamente pelos resultados de exames.

“Chegaram a chamar minha tia para fazer reconhecimento de partes do corpo, mas falamos para ela esperar os resultados dos exames de DNA. É muito sofrimento. Estão anunciando que o mínimo são 15 dias, para os resultados dos exames. É muito tempo.”

Paula conta que, depois de participar de uma missa de sétimo dia no Rio de Janeiro, a tia Vera volta para a histórica cidade de São João del-Rei, a 186 quilômetros de Belo Horizonte, onde vive parte da família.

Apegada à religião e com crença em reencarnação, Vera tem passado por várias perdas nos últimos meses. No ano passado perdeu o companheiro, pai de Yokania e, há três meses, perdeu uma irmã. “Ela se apega à religião e está à base de calmantes. Nosso apelo é de achar o corpo para dar um fim digno a uma pessoa que gostava muito da vida.”

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