"Se acontecer alguma coisa, eu te amo", disse estudante para irmã gêmea

Essas foram as últimas palavras que Brenda Tavares, de 13 anos, disse para a irmã Bianca, que morreu no massacre em Realengo

Priscila Bessa, iG Rio de Janeiro |

"Se acontecer alguma coisa, eu te amo". Essas foram as últimas palavras que a estudante Brenda Rocha Tavares, de 13 anos, conseguiu falar para a irmã gêmea, Bianca, durante o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, na última quinta-feira (7). As duas foram baleadas. Brenda sobreviveu mas Bianca não resistiu.

Segundo a tia das meninas Perla Maria dos Reis Rocha, Brenda só resolveu fugir quando sentiu que a irmã não respondia mais. Doze crianças morreram no ataque. O atirador Wellington Menezes de Oliveira se suicidou após ser baleado por PMs.

"As duas eram muito unidas", disse Perla

Atingida na cabeça e nas mãos, Brenda recebeu alta ontem do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Segundo Perla, ela continua com uma bala alojada na nuca mas o projétil não será retirado agora.

"Os médicos não querem retirar a bala agora porque seria muito agressivo. Eles disseram que felizmente a bala atingiu uma parte mole do cérebro e, por isso, não há risco. Não afetou a medula e nenhuma parte motora. Eles acreditam que o corpo vai expulsá-la", explicou.

Família não quer mais menina na escola atacada

Perla afirmou que Brenda não vai mais estudar na Tasso da Silveira. Ela disse que a família não recebeu até agora qualquer palavra de conforto da direção ou de alguma professora.

"Hoje mesmo vou procurar uma nova escola para a Brenda. Estamos apavorados. Não quero mais pisar naquela escola", afirmou.

A tia de Brenda, que ajuda a cuidar das meninas já que a mãe delas é paraplégica, disse que a adolescente está muito abalada e sem condições de dar entrevistas. Com as duas mãos engessadas, a garota não consegue comer sozinha nem escovar os dentes.

"Ela está muito instável. Ontem, ficou conversando com as amigas até tarde. Hoje, acordou chorando. Quando vê uma pessoa adulta, ela fica retraída", contou.

Brenda receberá atendimento de médicos do Into em sua casa. Ainda não há previsão de quando vai retirar o gesso das mãos.

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