Sargento Alves: 'Ele tinha um olhar transtornado'

Em depoimento na 16ª DP, PM que parou atirador diz que só quer abraçar sua família: 'Foi o dia mais difícil da minha carreira'

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

O sargento Márcio Alexandre Alves, responsável por impedir que Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, continuasse o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, prestou depoimento na noite desta quinta-feira na divisão de homicídios da 16ª DP, na Barra da Tijuca. Ele repetiu o que dissera na entrevista coletiva concedida mais cedo e afirmou que, agora, só pensa em reencontrar a sua família e descansar.

Alves depôs ao lado dos cabos Ednei Feliciano da Silva e Denílson Francisco de Paula. Contou que participava de uma operação para combater veículos piratas na região, com o Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), e estava a duas quadras da escola quando um dos alunos, baleado, chegou gritando por socorro. “Imediatamente fomos até ele e corri para o interior da escola. Ouvi disparos no segundo andar e quando cheguei vi o Wellington tentando ir para o terceiro. Ele tinha um olhar transtornado e focado em mim. Atirei na direção do abdômen, mas não sei se acertei o abdômen ou a perna. Ele caiu e eu gritei três vezes: ‘Larga essa arma’. Ele não me obedeceu e em seguida atirou na própria cabeça. É a cena mais triste e chocante nesses 18 anos de corporação”, relatou Alves.

O sargento contou que, após a morte do atirador, foi abordado por uma das alunas. Ele repetiu que não se considera um herói e que apenas cumpriu o seu dever de policial. “Teve uma menina que subiu em uma cadeira e me pediu para me dar um beijo. Não me considero um herói, cumpri o meu dever. Já falei com o meu filho e a minha esposa, o meu filho me ligou chorando, mas já disse que mais tarde darei um beijo bem forte nele. Só penso agora em ir para casa, abraçar a minha família, tomar um banho e tentar descansar. Foi o dia mais difícil da minha carreira”.

O sargento ainda descreveu a roupa do atirador, bem como as armas que viu. “O Wellington estava de blusa social de manga comprida, calça social, luvas sem cobertura nos dedos e um cinto com munições. Estava com duas armas calibre 38 e vários carregadores. Não tinha barba”, concluiu.

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