Santos Dumont: pista curta e alto fluxo são desafios para pilotos

Pista possui asfalto especial para evitar acidentes, a exemplo de Congonhas

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Localizado às margens da Baía de Guanabara, no centro do Rio de Janeiro, o aeroporto Santos Dumont oferece uma vista privilegiada do Pão de Açúcar para os passageiros que chegam ou deixam a capital fluminense. Se o visual é de tirar o fôlego, a pista do terminal – inaugurado em 1936 –, no entanto, ainda causa apreensão a muitos turistas. Considerada por especialistas como uma das mais difíceis do mundo, a pista principal possui 1.323m x 42m e é tida como curta devido ao alto fluxo de aviões recebido pelo terminal.

Atualmente, o aeroporto atende apenas a voos nacionais, tendo como foco a ponte aérea Rio-São Paulo. Mesmo com essa norma, em 2009, segundo a Infraero, o terminal registrou um movimento de aproximadamente 5,1 milhões de passageiros. Sua capacidade estimada é de 8,5 milhões, mas o balanço anual ficou próximo ao de aeroportos internacionais, como o Salgado Filho (RS) e de Confins (MG). Ambos terminais tiveram um fluxo de 5,6 milhões de passageiros.

No volume de aeronaves, o Santos Dumont passa os terminais gaúcho e mineiro. O terminal fluminense registrou um movimento de 97 mil aeronaves em 2009, contra 79 mil no aeroporto Salgado Filho e 70 mil em Confins. Detalhe: em Minas Gerais, a pista mede 3.000m x 45m e, no Rio Grande do Sul, 2.280m x 42m.

“Trata-se de uma pista crítica para operação com o modelo que se apresenta hoje no aeroporto Santos Dumont. Há aeronaves de grande porte operando em um aeroporto que não tem área de segurança no final de pista e, menos ainda, zona de escape, que acaba sendo a Baía de Guanabara”, avalia o secretário de segurança de voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, comandante Carlos Camacho.

Quando comparado ao aeroporto de Congonhas (SP), ligação com o Santos Dumont na ponte-aérea Rio-São Paulo, a pista do terminal fluminense também perde em tamanho. Mesmo com uma pequena diferença, o aeroporto da capital paulista possui uma área de 1.640m x 45 m para pousos e decolagens. Vale ressaltar que Congonhas também só opera voos nacionais e fica em uma área considerada crítica, pela alta densidade populacional no entorno.

Arte iG
Localização da pista do aeroporto Santos Dumont, às margens da Baía de Guanabara
Segurança

Devido ao contexto geográfico onde estão localizadas, as pistas do Santos Dumont e de Congonhas possuem um asfalto especial, com uma camada porosa, que facilita a drenagem da água em dias de chuva e aumenta o atrito entre os aviões e o solo. “Para pistas críticas como essas, evidentemente, esse asfalto é essencial”, diz o comandante Camacho.

Segundo o secretário de segurança de voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, essa camada porosa possui um prazo de validade de aproximadamente cinco anos. A aderência do solo vai se degradando com o tempo e, por isso, é checada de tempos em tempos.

“Em Congonhas, logo após chover, as operações são paralisadas e o nível de aderência é medido”, informa Camacho. “Há alguns meses, o nível de degradação da pista no aeroporto Santos Dumont chegou a um nível tão elevado que as operações em dias de chuva foram suspensas e desviada para o Galeão”, relembra, completando que a Infraero realizou as intervenções necessárias no local há cerca de quatro meses.

Em relação ao acidente da manhã desta quinta-feira (12) no Santos Dumont, o secretário de segurança de voo acha improvável que ocorrido tenha relação com a aderência da pista visto que as condições climáticas no Rio estavam boas. O avião de pequeno porte da Ocean Air Táxi Aérea deslizou quando pousava e caiu na Baía de Guanabara. A Infraero chegou a informar que a causa do acidente teria sido um estouro de pneu. O motivo real, no entanto, está sendo apurado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

“Se houve um estouro de pneu, como foi divulgado, houve uma questão física do avião. A partir do momento que pode ter tido um agravante no que diz respeito à perda do controle da aeronave, o resultado poderia ter sido, e foi, ir para dentro d´água”, avalia. “Se fosse um avião de grande porte, como muitos que operam no terminal, a ocorrência poderia ter sido pior”, alerta.

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