“Sabe o que é enfrentar correnteza com um bebê no colo?"

Dona de casa, de 40 anos, consegue escapar de enchente e salva filhas gêmeas de 11 meses

Flávia Salme, enviada especial a Teresópolis | 13/01/2011 12:30

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Foto: Foto: Hélio Motta Ampliar

Rosângela chora ao lembrar dos momentos de luta contra a correnteza

“Devia ser duas horas da madrugada, quando meu marido acordou aos gritos avisando que a água invadia nossa casa”, relembra a dona de casa Rosângela Pereira Tavares, de 40 anos. O imóvel onde ela morava com o marido e cinco filhas foi destruído pelo rio Paquequé, que atravessa o bairro da Posse.

Rosângela contou que só teve tempo de pegar no colo as gêmeas Gisele e Luciele, de 11 meses, enquanto o marido, o pedreiro Sandro Correia Pimentel, de 37 anos, buscava as outras filhas do casal, de 8, 14 e 16 anos. “A água já tinha tomado a casa toda. Você sabe o que é enfrentar a correnteza com um bebê no colo?”, indaga, com forte emoção. No caso de Rosângela, o desafio foi em dobro: eram dois bebês. “A água estava acima da minha cintura, foi muito difícil”, ressaltou.

Rosângela e a família estão em um abrigo improvisado no Ginásio Pedrão, no centro de Teresópolis. Apenas o marido não permaneceu no lugar. “Ele foi tentar resgatar nossos parentes. Muita gente morreu. A tia, a sobrinha, o primo... Nem sei contar”, diz entre lágrimas.

Com a bebê Luciele no colo, Rosangela diz que só tem uma preocupação: "Não tenho mais casa, documentos, não tenho mais nada. O que vai ser da gente?”

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