Rotina ainda não voltou ao normal em Realengo

Alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira têm aulas intercaladas com visitas de celebridades, eventos e presença da imprensa

Priscila Bessa, iG Rio de Janeiro |

Às vésperas de completar um mês do massacre que vitimou 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira , em Realengo, zona oeste do Rio, a rotina no colégio ainda não voltou ao normal. Pouco antes das 7h desta sexta-feira (6), além dos estudantes que aguardam o momento de entrar na escola, um carro de reportagem e um ônibus chamam a atenção na calçada.

Fabrizia Granatieri
Alunos chegam à escola Tasso da Silveira, em Realengo

Nenhuma das crianças sabe ao certo o motivo do ônibus. “Será que vai ter passeio e não avisaram a minha turma?”, pergunta um aluno para outro. Aos poucos parentes de vítimas do ataque começam a se aproximar do veículo que, na verdade, está no local para levá-los junto com familiares de outras tragédias, para o Palácio da Cidade. O local foi escolhido para o lançamento da Campanha Nacional pelo Desarmamento com a presença do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e integrantes da ONG Viva Rio.  

Mãe de Ygor Moraes, morto no dia 7 de abril, Inês Moraes se aproxima do ônibus chorando. “Me sinto muito mal aqui fora do colégio. Parece que estou vendo o meu filho. Superar isso acho que só quando eu morrer mesmo”, disse Inês, amparada por uma amiga.

A maioria dos alunos conversa na porta da escola alternando o assunto sobre quais matérias terão no dia e as visitas famosas ainda devem receber. “Disseram que segunda-feira o Ronaldo Fenômeno vem. Essa semana teve o grupo Havaianos. Já veio um monte de gente aqui. Eu acho legal, mas a professora de geografia já está reclamando. Ela disse que está de saco cheio”, afirma Mateus da Silva, de 12 anos, aluno do sexto ano.

O primeiro sinal toca. Um grupo de meninos entra na escola e faz brincadeiras com o drama que aterrorizou os alunos. “Tem que chegar com um três oitão”, diz um deles. Na janela, outro menino grita e pede para ser filmado pela equipe de televisão. Quinze minutos depois soa o segundo sinal e a maioria dos alunos entra na escola.

Mãe de Renata Gomes, estudante ferida no ataque , Veronice Gomes, comenta o dia a dia no colégio. “Acho que as visitas são positivas para alegrar as crianças. Renata tem vindo às aulas e trouxe o irmão no dia em que estava o grupo Havaianos. Ele ficou louco! Pegou o caderno dela para pedir autógrafo”, conta ela.

A vida também não voltou ao normal para Jhonatan Oliveira dos Santos , Yan Bruno Oliveira Passos e Carlos Matheus Vilhena de Souza . Os três conversaram com o iG sobre como se recuperam da tragédia para voltar à escola Tasso da Silveira.


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