RJ:Promotoria pede prisão de policiais civis suspeitos de tortura

Cinco agentes já estavam afastados das funções desde a última sexta-feira (1º)

iG Rio de Janeiro |

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro pediu à Justiça nesta segunda-feira (4) a prisão temporária de cinco policiais civis suspeitos de terem torturado um homem no interior da 10ª Delegacia de Polícia, em Botafogo, na zona sul da capital fluminense. O caso ocorreu no último dia 24. Os agentes estão afastados das funções desde a última sexta-feira (1º).

A vítima do crime é um funcionário de um ferro-velho da Região dos Lagos que teria sido coagido, por meio de tortura, a reconhecer dois autores de furtos de carros na área de atuação da delegacia como fornecedores de peças para o seu ferro-velho.

O homem, que não foi identificado por motivos de segurança, afirmou à Corregedoria ter sido despido e agredido com socos na região genital. Em seguida, os policiais usaram um alicate para pressionar seus órgãos genitais, em busca do reconhecimento dos ladrões. A vítima disse ainda ter sido ameaçada caso denunciasse a tortura.

Apesar da ameaça, o homem fez queixa à Corregedoria no dia seguinte. O exame de corpo de delito confirmou a existência de marcas de tortura nos locais informados e uma lesão na mão. Um alicate compatível com os ferimentos foi localizado na delegacia e reconhecido pelo homem agredido.

Ele reconheceu cinco agentes e podem ser indiciados por crime de tortura, agravado pelo fato de serem funcionários públicos. O titular da unidade, delegado José Alberto Pires Lage, foi afastado do cargo.

Em nota, o Ministério Público informou que a prisão temporária dos policiais é necessária para evitar que os indiciados possam influir, negativamente, na colheita de provas – por haver, ainda, testemunhas a serem ouvidas e outras diligências a serem realizadas. Além disso, com a decretação da prisão dos policiais, a Promotoria pretende identificar outros possíveis coautores.

No pedido de prisão, os promotores informam que a medida visa a possibilitar as investigações policiais, já que os indiciados, “são perigosos e suas condutas são altamente reprováveis, afetando a própria estrutura social e a tranquilidade da comunidade local, até por serem agentes do Estado com o poder/dever de proteger a população”.

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