RJ: Justiça condena dupla que ameaçou incendiar vítimas em assalto a ônibus

Caso foi em fevereiro de 2010. Juiz considerou ação como terrorismo e a comparou com a violência de grupos extremistas na Ásia

iG Rio de Janeiro |

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou nesta terça-feira (19) dois homens acusados de terem aterrorizado passageiros de um ônibus que iria de Niterói para Araruama, na Região dos Lagos, na rodovia BR-106, no dia 24 de fevereiro do ano passado. O caso ocorreu na altura de São Gonçalo, na região metropolitana.

Na ocasião, os bandidos jogaram gasolina nas vítimas e ameaçaram atear fogo se elas se recusassem a entregar dinheiro, cartões de banco, joias, relógios e demais bens. Os criminosos ainda obrigaram o motorista a desviar o trajeto do coletivo.

Durante a ação, o policial militar Wagner da Silva, que estava no coletivo, reagiu, foi atingido pelas costas por um tiro e morreu. Após manter as vítimas aterrorizadas por mais de uma hora e meia, os réus desembarcaram e abordaram um motorista que trafegava no local, mediante uso de arma de fogo, obrigando-o a levá-los até a avenida Brasil, no início da rodovia Presidente Dutra.

Thiago Silva de Lima foi condenado a 49 anos e seis meses de reclusão e Luiz Henrique Jesus Cardoso, o líder do grupo, a 60 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e roubo.

Eles também foram condenados, respectivamente, a 10 meses de detenção, em regime semiaberto, e a dois anos de detenção, em regime fechado, pelo crime de constrangimento ilegal. O terceiro envolvido nos crimes, Cosme Bastos Lemos, que teria rendido o motorista, teve o seu processo desmembrado.

Ato de terrorismo

Para o juiz Marcelo Alberto Chaves Villas o crime foi semelhante a um ato de terrorismo.

“Em suma, os passageiros do coletivo foram submetidos a ato de natureza terrorista. Ameaçar de queimar passageiros de um coletivo durante um roubo é algo que só pode ser comparado à ação de grupos extremistas existentes no exterior que, com o conflito do Oriente Médio desde os idos anos sessenta, vêm seqüestrando aviões em países estrangeiros. O terror infligido aos passageiros desse coletivo jamais será esquecido pelos mesmos e conseqüentemente tais vítimas sofrerão ao longo dos anos os efeitos psicológicos deletérios de uma situação de terror inexoravelmente traumática”, afirmou o juiz na sentença.

Segundo o juiz, o réu Thiago, além de confessar que os fatos narrados na denúncia são verdadeiros, delatou seus comparsas. O magistrado também destacou que Luiz Henrique, em sua confissão feita de forma qualificada, disse que era ele quem portava o galão de gasolina, havendo farta prova de que ele também atirou na vítima fatal, Wagner, pelas costas.

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