Rio vai desativar carceragem onde milicianos fugiram

Os 190 presos da Polinter do Grajaú serão removidos para um presídio na sexta-feira

iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Polinter do Grajaú, que registrou fuga de sete detentos na noite de ontem
A carceragem da Polinter, no Grajaú, na zona norte do Rio de Janeiro, que registrou uma fuga de sete presos no último dia 28, será desativada a partir da próxima sexta-feira (11), segundo informações da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária.

Leia também : Cinco dos sete fugitivos da Polinter são suspeitos de integrar milícias

Em nota, a pasta informou que, na sexta, os 190 presos da Polinter do Grajaú vão ser transferidos para o presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte, unidade de triagem do sistema penitenciário fluminense. Após isso, serão removidos para outros presídios do Estado, de acordo com o perfil e periculosidade.

Na fuga ocorrida no Grajaú, os presos levaram um fuzil, que foi recuperado dois dias depois no morro do Fubá, no Campinho, na zona norte.

Dos sete fugitivos, pelo menos cinco deles eram investigados por envolvimentos com milícias, conforme o iG divulgou no dia 29.

Dois dos detentos que escapara, Marcos de Faria Pereira, conhecido como Cabeça, e Lindemério da Silva Teixeira haviam sido presos durante uma operação da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais) em setembro do ano passado para desarticular uma milícia que atuava no morro do Dezoito, em Água Santa, na zona norte.

Identificado pela polícia como outro fugitivo, Rodolfo Rodrigues dos Santos, havia sido preso no dia 23 na favela Águia de Ouro, em Inhaúma, na zona norte carioca, também controlada por milicianos. Com ele, foram apreendidos na ocasião, três fuzis.

André Biggi da Costa, outro preso que escapou, segundo a Polícia Civil, havia sido preso no dia 29 de dezembro do ano passado na rua do Souto, em Quintino, na zona norte, portando uma pistola. A área também é dominada por um grupo paramilitar.

Na ocasião, de acordo com os autos do processo a que ele responde na Justiça, a polícia recebeu informações de que ele seria miliciano, que estaria ameaçando pessoas na rua e guardaria em sua casa outros armamentos. Em sua residência, os policiais acharam dois carregadores com 65 munições.

Outro fugitivo identificado pela polícia, Roberto Fonseca Barbosa, foi preso em fevereiro do ano passado na rua Pinto Teles, em Campinho, na zona norte, região também dominada pela milícia. Na ocasião, ele portava uma pistola.

Dois outros presos que fugiram foram identificados como Felipe Corrêa de Souza Fernandes e Henrique da Silva Rocha. A reportagem do iG não conseguiu identificar se eles também são suspeitos de ligação com milicianos.

Suposta invasão à favela

A polícia investiga a relação da fuga dos milicianos com uma suposta invasão ocorrida no Complexo de Favelas do Campinho, que reúne as comunidades do Fubá, Divino e Campinho, um dia antes. A suspeita de ligação é reforçada pelo fato de o fuzil roubado da carceragem ter sido encontrado no Fubá.

Segundo relatos de moradores, a suposta invasão ocorreu na noite de quinta-feira (27) e contou com cerca de 30 homens armados, inclusive com fuzis.

De acordo com as denúncias, milicianos que deixaram o local após uma operação policial no início do ano participaram da suposta invasão e contaram com o apoio de bandidos do morro da Mangueira, na zona norte, recentemente ocupado por uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).

Os relatos indicam que, durante a suposta invasão, os bandidos teriam destruído cerca de 70% das fantasias do bloco carnavalesco Campinho Imperial, cuja sede fica no interior do complexo.

A PM recebeu informações do Disque-Denúncia de que, na época da fuga, as comunidades de Campinho iriam receber reforço de milicianos para evitar uma possível invasão de traficantes do morro do Dezoito, em Água Santa, à comunidade do Saçu.

A fuga da Polinter está sendo investigada pela Corregedoria da Polícia Civil.

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