Rio usará 'tinta invisível' em balas de armas da polícia

Objetivo é identificar as trajetórias dos tiros disparados pelos policiais nos casos de balas perdidas e execuções sumárias

AE |

selo

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro anunciou nesta terça-feira a adoção da "tinta invisível" nos projéteis das armas de policiais de batalhões e delegacias do Estado. O objetivo é identificar as trajetórias dos tiros disparados pelos policiais nos casos de balas perdidas e execuções sumárias. O projeto foi desenvolvido pelo Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (Lasape) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Trata-se de um aditivo para a perícia forense. Nossa tecnologia não invalida as demais ferramentas de investigação. O produto é mais barato que o luminol e poderíamos colocar a tinta nas armas de todos os batalhões e delegacias", disse o coordenador do Lasape, professor Antônio Cerqueira Lopes. Ele afirmou que falar sobre custos "seria leviano", mas disse que a tinta é abundante no mercado e de fácil manipulação.

De acordo com Lopes, após o disparo, a tinta invisível a olho nu deixaria rastros em qualquer superfície ou corpo tocado pelo projétil. Segundo o pesquisador, os traços da tinta poderiam ser revelados por "um grande acervo analítico", desde o luminol até exames laboratoriais por espectrômetro de massa e de plasma.

Lopes reconhece que a implantação depende de uma mudança na legislação federal, que regula o uso de armas de fogo, para a permissão da fabricação destas munições em escala industrial. Em sua mala direta, o ex-prefeito Cesar Maia ironizou a iniciativa. "Isso deve ser piada. Imagine quanto passa a valer essa munição para os traficantes acusarem PMs por mortes, ou mesmo para que pistoleiros possam matar à vontade, incriminando policiais", escreveu. O pesquisador rebateu. "Isto é falta de informação. Ele deve estar pensando que nós vamos pintar cada bala com tinta de parede", minimizou.

Especialista em armamento, munição e balística, Flávio Pacca também duvidou da eficácia da tinta invisível. "Será o mesmo caso dos estojos com munições numeradas, que já foram implantados. A segurança de que o tiro partiu da polícia acaba na primeira munição extraviada ou perdida durante uma operação. Sabemos que isto acontece muito. Se marcar balas fosse uma boa ideia, os países mais desenvolvidos cientificamente já teriam adotado a inovação", opinou.

    Leia tudo sobre: armas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG