Rio terá Sistema de Detecção de Tiros usado pelas Forças Armadas dos EUA

Tecnologia permitirá identificação rápida do ponto exato do disparo. Sistema começa a funcionar após o Carnaval na zona norte

iG Rio de Janeiro |

A Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro anunciou nesta quinta-feira (1) que o Estado começará a utilizar logo após o Carnaval de 2012 o Sistema de Detecção de Tiros, tecnologia utilizada já utilizada pelo FBI, o Comando Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, o Departamento de Justiça e o Laboratório de Batalha da Força Aérea norte-americana.

Leia também : Canoas começa a usar Sistema de Detecção de Tiros

A cidade será a primeira capital a usar o sistema e a segunda no país. A tecnologia já foi implantada no município gaúcho de Canoas em 2009 e resultou em uma queda de 41% dos crimes violentos que resultaram em morte, em comparação com o mesmo período em 2009.

A partir da instalação de sensores sonoros camuflados, a  tecnologia permite que, tão logo um tiro de arma de fogo ocorra na área monitorada, o sistema localize o ponto do disparo (com margem de erro de apenas 10 metros), identifique o calibre e a quantidade de tiros. Em seguida, e em cerca de seis segundos, ele envia essa informação para uma central de comando.

O sistema também consegue diferenciar os disparos de sons similares (fogos de artifício, escapamento de veículos, helicópteros etc.) e grava os tiros, permitindo seu uso posterior na análise pericial e até mesmo como prova em juízo.

De acordo com a Secretaria de Segurança, a informação gerada por este sistema, além da enorme rapidez, fornece muito mais precisão e variedade de detalhes do que alertas que chegam à polícia pelo telefone 190 e outros meios que demandam várias checagens (verificação do nome correto da rua, do tipo de arma utilizada, se a ligação é trote etc.).

Na prática, de acordo com a pasta, a expectativa é de que o sistema permita à Polícia um ganho de até 15 minutos no tempo necessário para decidir o envio de uma patrulha ao local do disparo. Em casos de crimes com armas de fogo, onde há feridos a bala, qualquer minuto de espera pode significar a vida ou morte da vítima.

O sistema inicialmente abrangerá os bairros de Tijuca, Andaraí, Maracanã, Vila Isabel, Muda, Usina e Grajaú, além de parte da Quinta da Boa Vista e as comunidades de Borel, Casa Branca, Indiana, Formiga, Macacos, Salgueiro e Coreia, todas na zona norte. Ao todo, serão 70 sensores.

Sucesso

Mais de 50 cidades já usam o sistema nos Estados Unidos, incluindo Los Angeles, Washington DC, Chicago, Boston, San Francisco e New Orleans.

Após alguns anos utilizando o sistema, a polícia de Los Angeles conseguiu uma redução de 40% no número de homicídios. Fora dos Estados Unidos, a Grã-Bretanha usa o sistema desde 2008, em cidades como Londres e Manchester.

Nos cenários de guerra urbana do Afeganistão e do Iraque, as forças armadas norte-americanas também utilizaram o sistema para localizar franco-atiradores inimigos.

Testes de calibragem do novo sistema serão realizados nos próximos dias 5, 6 e 7 nas ruas dos bairros da Tijuca, Maracanã, Vila Isabel e Andaraí e também em parte da Quinta da Boa Vista, durante a noite, nos próximos dias 5, 6 e 7 de dezembro (de segunda a quarta-feira). Esses testes são necessários para determinar a “assinatura acústica” dos diferentes tipos de calibre em ambiente urbano real, o que permitirá que o sistema identifique, em questão de segundos, o tipo de arma que efetuou o disparo, juntamente com sua localização.

Para realização do teste de calibragem, são necessários vários disparos de armas de fogo com balas de verdade no próprio ambiente em que haverá o monitoramento, utilizando-se cinco diferentes calibres de armas. Os disparos serão feitos por atiradores de elite da Polícia Militar, integrantes do Centro de Instrução Especializada em Armamento e Tiro (Cieat).

Os alvos serão sacos de areia, montados nas ruas especialmente para o teste. As armas utilizadas serão um fuzil 556, uma carabina calibre 12, uma pistola .40, um revólver calibre 38 e uma submetralhadora 9 mm.

Para assegurar que não haja qualquer risco de segurança para pedestres e para o patrimônio no entorno dos testes, as áreas serão isoladas, com bloqueio do tráfego de veículos e pedestres por pelo menos uma hora.

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