Rio não tem mapeamento de risco nem plano de emergência, diz especialista

Moacyr Duarte, da Coppe/UFRJ, explica que a análise das áreas já identificaria medidas preventivas. Agentes precisam ser treinados

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Hélio Motta
A água atinge janelas de casa em Teresópolis e moradores estimam que ela tenha chegado a 6 metros de altura
O Estado do Rio não tem o mapeamento atualizado de áreas de risco nem planos de emergência adequados, que permitam acionar o socorro imediato e coordenado em casos de necessidade, de acordo com Moacyr Duarte, especialista em gerenciamento de riscos e planejamento de emergências da Coppe (Centro de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia) da UFRJ.

“Não tem plano. O coronel chefe da Defesa Civil de Teresópolis tem um mapeamento da área de risco defasado e antigo. Se tivesse um planejamento atualizado era possível ter uma resposta melhor. O plano de emergência não é combinado na hora... Já se deve tê-lo e acioná-lo quando ocorre o problema. E os atores já sabem o que fazer: isso, isso e isso, com base em treinamento prévio”, afirmou Moacyr Duarte, ao iG .

“Estamos longe da coordenação de ação de resposta efetiva. Dependemos mais da bravura das pessoas de frente”, disse Moacyr, que passou dois dias na Região Serrana após as chuvas.

De acordo com o pesquisador da Coppe/UFRJ, o próprio mapeamento de risco, se fosse feito, identificaria problemas e riscos e ações de prevenção necessárias – como remoção de pessoas e de construções, melhoras de canalização, limpeza de canais e coleta de lixo.

Também a partir do mapeamento, é possível formar procedimento de reação, dimensionar e treinar recursos humanos. Segundo Moacyr, a ONU (Organização das Nações Unidas) estima que a cada dólar investido em prevenção, poupam-se US$ 20 em resposta.

O pesquisador afirmou que as autoridades não podem atribuir a uma fatalidade a tragédia que matou centenas na Região Serrana do Estado. “É claro que é possível ter um plano de emergência e monitoramento, com informes online sobre pontos críticos, mapas geotérmicos das áreas com escala e meios adequados para identificar os problemas. Com telemetria de dados em relação às chuvas, rede de pluviômetros, é possível ver que a chuva mais forte, as trombas d’água, são nessa região específica. Aí é dado o aviso, e se age conforme o planejado.”

Depois de recorrentes episódios com mortos, semelhantes, Moacyr Duarte diz esperar que “este evento seja o marco para a Defesa Civil, como [a tomada do] Alemão foi para a Segurança Pública”.

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